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Universidade de Brasília, Abril de 2004 Departamento de Filosofia Disciplina de Tópicos Especiais em Filosofia Política / Seminário de Filosofia Professor: Rodrigo Dantas DINHEIRO É TEMPO "SE TEMPO É RELATIVO, DINHEIRO TAMBÉM" OU "'TEORIA' DA RELATIVIDADE MONETÁRIA" Aproximadamente 26,5 mil caracteres (sem espaços).
Marcus Valerio XR |
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--------Não é fácil imaginar modo mais difícil de iniciar uma dissertação do que lançando uma pergunta para a qual milhares de anos de Mitologia, Física e Metafísica não parecem ser suficientes para tratar. É no entanto uma pergunta crucial ao tema proposto, e que não pode ser negligenciada. Mas uma vez que este não é um tratado de assunto obscuros, a solução é propor uma definição que melhor se adeque ao ponto de vista que a Ciência Contemporânea tem adotado sem contudo se distanciar demais de uma noção popularmente consensual. 3 |
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--------Muitos poderiam achar que a pergunta agora deveria ser, "O que é Dinheiro", mas considerando que esta monografia atende principalmente a um objetivo acadêmico de Filosofia Marxista, e tendo em vista seu direcionamento, me darei ao luxo de pressupor que quem a lê já tenha uma visão ao menos razoável da natureza do Dinheiro. 4 |
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--------Espero não ser difícil concordar que é bastante aceitável pressupor que um serviço seja cobrado de acordo com seu consumo de tempo, uma vez que se está a realizar alguma coisa em troca do empenho de existência humana numa atividade específica. O mesmo Tempo que poderia ser usado para o lazer ou descanso será empregado para realizar tal tarefa, e isso justifica que a mesma seja remunerada.
--------Neste momento, nasceria o Juros. A idéia da transformação literal de Tempo em Dinheiro, sem envolver diretamente nenhum tipo de trabalho humano. Um certo período de Tempo simplesmente se transforma em Dinheiro, arbitrariamente. 5 --------Outra forma de entendermos isso é mediante uma pequena fórmula, tão simples quanto as famosas M-D-M' e D-M-D' de Marx, cuja última pode ser interpretada como uma expressão de como o Dinheiro usa a Mercadoria para se multiplicar.
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Ou seja, para se estabelecer um parâmetro de trocas, o trabalho é convertido em Tempo, que é traduzido em Dinheiro, Moeda, e assim realiza-se o comércio.
--------Onde passa-se a usar o Trabalho, e consequentemente o Tempo, para se "produzir" Dinheiro. Vemos que até aqui, permanece uma relação direta entre o Dinheiro e o Trabalho, de modo que cada Capital produzido tem alguma correspondência com trabalho, serviço ou produção realizada. Desta forma, o Dinheiro ainda é um representante relativamente legítimo do trabalho humano.
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Ou seja, o Trabalho é dispensado, e o Tempo é convertido diretamente em Dinheiro, e este passa a não mais ter uma representação legítima no mundo real. Tornando-se um ente Virtual, pode assumir comportamento análogos ao dos entes digitais, inclusive se multiplicando de forma ilimitada, não estando limitado pela realidade material.
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--------Estando estabelecida a natureza temporal essencial do dinheiro, passemos agora à articulação da correlação com a Teoria Física da Relatividade. O mais importante é então afixar bem a idéia da relatividade do dinheiro aos moldes einstenianos. 7 --------O resultado, é que esse sistema pode realizar a conversão Tempo => Dinheiro numa taxa muito maior do que o decorrer do tempo normal. Esse sistema realiza a "mágica" de multiplicar o Capital mediante a distorção temporal resultante da movimentação financeira. Da mesma forma, ocorre com a acumulação de Capital, que ao gerar "centros de gravidade" financeira, fazem com que o Tempo em seu limiar se acelere, sendo convertido em mais Capital. 8 |
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--------É prevista pelos físicos uma conseqüência bizarra da relatividade do espaço-tempo. São os famosos Buracos Negros. Centros de gravidade tão intensa que atraem até mesmo a luz a seu redor. Em geral, surgem quando uma estrela, que apresenta eventos de expansão e contração durante sua longa existência, atinge um certo limiar de concentração de massa num pequeno volume, passando então a se concentrar cada vez mais e capturando tudo o que estiver a seu alcance. 9 |
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--------Afinal, como toda essa reflexão poderia responder à pergunta básica do curso? Por que, e como, ocorre um bloqueio capaz de impedir ações no sentido de transformar um sistema que, se deixado como está, tende a um colapso?
Marcus Valerio XR 10 |
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MARX e ENGELS - Obras escolhidas. Lisboa 1983 DAVIES, PAUL. O Enigma do Tempo. Ed. Ediouro. 2000 ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL ( ENCYCLOPAEDIA BRITTANICA DO BRASIL) 11 |
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