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          Rodrigo Marques   -   1972   -  Angra dos Reis - RJ

          Administrador de Empresas   -   Cético

549, 556, 602, 603, 605, 606, 614, 620, 649
656, 667, 680, 720, 740, 746, 768, 797, 800
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Olá Marcus, tudo bem! Desta vez venho te escrever sobre o seu texto a respeito da Hipergamia, que eu, confesso, nunca tinha ouvido falar, apesar de, como todo homem, ter certa consciência instintiva dela. Realmente nunca tinha visto esta questão ser discutida em nenhuma mídia, assim seu texto, com clareza, franqueza e sem um viés emocional como os dos sites masculinistas, corre o risco de virar uma referência na rede.

Fiquei bastante impressionando com o assédio que o tal maníaco do parque consegue, mil cartas de amor em um mês...caramba, na minha vida toda eu recebi menos de 10% disso! Mas mesmo assim acho que só algum "cabeça fraca" irá recorrer ao crime para conseguir companhia feminina, apesar de parecer existir muitos "cabeças fracas" por aí...Já os cafajestes, impressionante é ver mulheres cultas e com boa situação financeira caindo na lábia de um.

O gosto feminino pelos ricos é óbvio, o mote pai pobre é destino, marido pobre é burrice, repetido por muitas mulheres está aí para comprovar. Mesmo com todos estes exemplos não devemos cair na armadilha lamentadora dos sites masculinistas, uma vez que como você mesmo lembra em um de seus textos, o sofrimento amoroso dos machos beta é igual ao sofrimento amoroso das moças feias, que por não terem beleza física tem que lidar com a indiferença geral de todo mundo.

Isso me faz lembrar uma frase do livro A Vida Sexual da Mulher Feia – “Eu sou aquela que muda o cabelo e sempre fica pior, que sai de roupa nova e ninguém repara, que passa festas inteiras fingindo que dança com os amigos, quando na verdade está dançando sozinha”. A maior parte das pessoas morre de rir com essa frase, mas se você refletir vê que é uma situação triste. Eu mesmo lembro de quando estava na faculdade conversando com alguns amigos sobre garotas e da minha própria boca saiu a seguinte frase com a concordância geral: “Mulher feia não tem o direito de ser metida!”. É, macho beta também não, as mulheres respondem.

Fiquei surpreso ao ver que as ideias do israelense Martin van Creveld, autor de um texto que eu te repassei tempos atrás na mensagem 667 e que você não gostou, já existiam antes de eu nascer e pelas mãos de uma mulher...que seria a maior antifeminista da história!

Não acho que os homens possam ser controlados unicamente pelo apelo sexual, garanto que muitos mesmo com uma esposa maravilhosamente bela em casa, vez por outra a deixem chupando dedo, só para ir ao jogo de futebol do seu time ou a uma pelada com os amigos.

A masculinidade biológica também não me parece ser um fenômeno temporário, frágil ou que poderia ser dispensado, creio que pelas seguintes razões:

- o sistema XY nos mamíferos de acordo com as pesquisas mais recentes teria 166 milhões de anos

- outros vertebrados, répteis e aves, não possuem o cromossoma Y, mas mesmo assim são sexuados, tem machos e fêmeas, sendo o sexo determinado pela temperatura de incubação dos ovos

- em alguns mamíferos roedores como o Ellobius lutescens o cromossoma Y desapareceu totalmente, mas os machos continuaram, sendo a determinação sexual ainda desconhecida, isso me faz imaginar que se o planeta Kerena fosse real, existiria a chance de homens XX surgissem por lá, o que talvez provocasse um rebuliço na civilização. Parece que uma coisa é o cromossoma Y, outra é o sexo masculino,que nem sempre depende dele.

As mulheres realmente são mais metahumanas que os homens, mas devido a um fato que você mesmo aponta em seus textos, a aparência feminina é extremamente cobrada. Isso junto com os tratamentos para as complicações do sistema reprodutor muito mais complexo que o masculino, fazem delas as maiores consumidoras de novidades farmacêuticas e cosméticas. Mas mesmo assim, um produto terá sucesso entre o público masculino se atacar diretamente os problemas que realmente afligem o homem, como foi o caso das drogas para disfunção erétil. O mesmo irá acontecer no dia que criarem um tratamento eficiente contra a calvície (eu vou querer pois não fui agraciado com uma vasta cabeleira como você).

Agora vou fazer uma daquelas perguntas que tanto gosto de fazer:

- Você afirma que a subjugação das mulheres pelos homens se baseia no fato de que estes são mais fortes fisicamente que elas, o que eu concordo plenamente, porém, me ocorre um pequenino detalhe que acho, faltou a você (pelo menos neste texto), um detalhe bem pequeno, mas que fez toda a diferença na relação entre os sexos, e, por conseguinte em todas as sociedades humanas nos últimos milênios. Estou falando da película dérmica existente na entrada da vagina chamada HÍMEN.

Graças a ela podemos diferenciar uma mulher virgem de uma não virgem e assim dar o tratamento diferenciado a cada uma. Por exemplo, se houvesse alguma dúvida sobre a castidade de uma vestal romana, uma freira da idade média ou uma virgem do sol inca, bastava abrir as pernas dela e observar se o lacre de segurança estava lá, caso não, a pena poderia chegar a ser enterrada viva. Como não é possível diferenciar fisicamente um homem virgem de um não virgem, esta condição sempre foi menos cobrada mesmo de monges.

O homem virgem não participa de lendas nem tem poderes mágicos, ao contrário de sua contraparte feminina, que pode domar unicórnios, está sempre sendo raptada por dragões e cujo sangue é um item de primeira hora para feitiçarias. Com o hímen, criou-se uma aura mística em torno da mulher, que passou a ser visto como um ser especial mas passivo, A Virgem, ao invés de ser visto como o que ela é, um ser humano comum. Fico pensando nas atrocidades que foram feitas contra as moças que tinham hímen vestigial ou complacente e não apresentaram sangramento durante a defloração da noite de núpcias.

Bem, eu te pergunto se não seria o caso de além de tornar as mulheres mais altas, o de eliminar o hímen, afinal nem todos os mamíferos os têm, aliás algumas mulheres nascem sem ele e conseguem sobreviver! Como você acha que a sociedade seria e teria evoluído se as mulheres não tivessem hímen e só fosse possível verificar a virgindade de uma se esta ficasse grávida? Como provavelmente seria a mentalidade das pessoas que vivessem numa sociedade assim?

E para terminar, informo que achei uma estória que mostra uma utopia masculinista, ou androtopia, é Ethan of Athos, escrita por uma mulher! A escritora Lois McMaster Bujold.

Minha próxima mensagem pretende falar sobre uma possibilidade improvável, mas verossímil, que eu imaginei após ler o seu texto, sendo baseada nele e numa das situações descritas na minha mensagem 800. Será ao mesmo tempo uma utopia masculinista e uma distopia feminista no mesmo pacote. Uma visão do poderia acontecer no futuro.

Ethan of Athos

Vida Sexual da Mulher Feia

Y Chromosome

Transcaucasian Mole Vole

Hímen

Muito obrigado e até logo.

Domingo, 13 de Maio de 2012

Tema: Hipergamia, Feminismo, Relacionamentos, Ginotopia, Masculinidade, Cromossomo Y, Himen
Número de Caracteres
- Mensagem: 5.595
- Resposta: 8.935
Olá Rodrigo...

Quando vejo seu nome no Dreambook sei que posso contar com uma boa mensagem. Obrigado pelas contribuições,

Talvez o ponto mais significativo da temática da Hipergamia seja exatamente o silêncio sobre o assunto, principalmente por parte do feminismo. Tenho feito constantes pesquisas e notado que o termo sequer aparece em qualquer endereço eletrônico feminista, ao menos em Português, Espanhol e Inglês! Em parte se explica pela rejeição feminista a priori à qualquer argumento de base biológica, insistindo no sonho determinista cultural onde até as características físicas mais primárias podem ser modeladas socialmente. Mas começo até a desconfiar de algo mais perturbador por trás disso. Talvez a total incapacidade de afrontar o incômodo assunto, quanto mais oferecer respostas. Sensação que nos mais empolgados despertaria teorias de conspiração. Em grupos fechados onde participo, houve rejeição sobre o tema por parte de feministas ou meros simpatizantes do feminismo, inclusive com negações completas das bases biológicas! Por sinal, devo dar uma palestra sobre o tema na UnB, dia 31 de Agosto.

São assimétricos os sofrimentos dos "excluídos" e "excluídas". O homem beta tem maiores chances de conquistar sua adorada, visto o interesse feminino poder ser desperto de modos muito mais variados. A mulher, se está desprovida dos dotes físicos que atraiam o amado, fica em situação muito mais irreversível, a não ser pela transformação anatômica. Por outro lado, se ela abrir mão do foco único de desejo, a situação pode ser muito mais facilmente revertida, pois a amplitude do desejo masculino pelos mais diversos tipos físicos, bem como sua tolerância, é vasta. Ou seja, para cada um, a solução está exatamente em ir na contramão de seu impulso primordial, poligâmico ou hipergâmico. O homem pode manter a fixação numa única mulher e buscar vários modos de tentar conquistá-la, e a mulher pode abandonar tal fixação num único homem a dar abertura a outros que sejam atraídos pelo que ela é.

Exemplificando, um homem pode desenvolver as qualidades que sua amada admire, quer sejam habilidade interpessoal, charme, poder, imposição psicológica ou sensibilidade. Já uma mulher gorda, se jamais conseguirá conquistar um homem que só goste de magras, deveria perceber o fato de que existem muito homens que gostam de mulheres gordas. Aliás, as mulheres aprenderiam muito se examinassem ao menos ocasionalmente o vastíssimo universo pornográfico da web, pois veriam que existem admiradores para qualquer tipo de condição física, ao invés de acreditarem que todo homem deseja mulheres que estejam no padrão físico imposto por estilistas parisienses homossexuais. Sei de casos trágicos que homens que abandonaram as parceiras por gostarem delas como eram, e elas insistirem em emagrecer mesmo quando já estavam abaixo do IMC ideal!

Não consegui ler todo o livro citado, o link fornecido parece ter tido o conteúdo removido. Mas pelo que consegui em links como A Vida Sexual da Mulher Feia, parece que este livro acaba misturando questões hipergâmicas com problemas de baixa auto estima, da competição interna entre mulheres, que pode ser uma disputa pela preferência masculina ou não, bem como esse problema citado do estereótipo de beleza feminina da tal ditadura da magreza. Caso contrário, a autora, que admite sequer ser das mais feias e ter seus encantos, saberia muito bem que a maioria dos homens coloca a vestimenta e o cabelo no último lugar dentre os critérios de seletividade, e que também não dá a mínima para ela ter uma turminha de amigas ou não. Ou seja, como você deve ter notado, o problema da autora é que, mesmo se vendo como feia, ainda é suficientemente hipergâmica para focar sua atenção em homens que fatalmente darão preferência a outras, ao mesmo tempo que sequer percebe outros que dão atenção a ela, como fica claro nos relatos posteriores ao longo do livro.

Por outro lado o drama equivalente por parte dos homens é incomensuravelmente mais sério, pois não se trata de uma "vida sexual" insatisfatória, mas de vida sexual nenhuma! Com timidez que por vezes impede até mesmo que se contrate profissionais.

Faz-me lembrar as interessantes tirinhas Luke e Tantra do cartunista Angeli. As duas moças "totalmente sem atrativos", uma magrela alta sem qualquer curva, a outra baixa e gorda, o que demonstra que o autor entende o problema da diversidade. Ora, apesar de se considerarem as últimas na fila na preferência masculina, fato é que existem interessados nelas que são frequentemente descartados. Angeli deixa bem claro que mesmo elas podem escolher! Como quando elas montam uma seleção de candidatos a namorados, aparecem vários pretendentes que são sequencialmente reprovados, embora com razão. A mensagem é que mesmo as mulheres feias ainda são hipergâmicas, e que a maior parte de sua dificuldade para encontrar parceiros está no fato de seu critério de escolha sempre ser elevado.

Mas o problema não está na elevação, e sim no critério em si, que frequentemente não é autônomo, e sim determinado pelo parâmetro da maioria. Não é que elas tenham que se tornar hipogâmicas, homogâmicas já é mais que suficiente, ou mesmo hipergâmicas em sentidos distintos, aprendendo desde cedo a valorizar de preferência virtudes que só costumam realmente atrair as mais maduras e inteligentes. Mas o mais relevante é o modo quase tirânico como a opinião coletiva se impõe entre grupos, principalmente de jovens, e nesse caso ainda mais entre as mulheres, como exemplifiquei em Hipergamia V.

A autora do blog 100 Homens também fornece uma evidência interessantíssima. Ao final de 2011 ele reconheceu que não atingiria a meta prevista. Mas qualquer homem sabe muito bem que, excetuando feiúra extrema, isso seria fácil para qualquer mulher desinibida. Qualquer profissional pode fazer conseguir mais que isso em poucos meses, é ainda por cima cobrando! Ora, se ela não atingiu a meta é pelo simples fato de que não se trata de meros 100 homens, mas sim de homens com um certo nível de qualidade que, penso, não deve ser muito baixo, visto que ela descarta candidatos à rodo, já avisando previamente que não aceita inscrições pelo blog. Qualquer homem que pretenda fazer o reverso sem desembolsar uma fortuna ou não sendo Justin Bieber, terá que aplicar técnicas de sedução avançadíssimas e ralar um bocado!

Conheci Esther Vilar muito depois de Martin Van Creveld, e embora não tenha lido livros deste último, penso que a primeira é muitíssimo mais interessante e convincente. Você pode achar muita coisa sobre ela, inclusive seu principal livro completo em português, na web, embora com uma tradução sofrível. Aliás, note que há muitas mulheres anti feministas, principalmente nos EUA, inclusive liderando os mais importantes blogs sobre o tema. Não se vê o reverso do lado dos homens, e a grande parte das exceções são gays!

Mas o que mais me interessou em Esther Vilar foi que ela conseguiu detectar o núcleo da questão, porém, vendo isso de uma forma negativa, enquanto em vejo de uma forma positiva, ou mesmo não consigo ver de nenhuma outra forma. Não faria o menor sentido que a existência masculina prestasse à outra coisa que não servir à feminina, pois disso depende nossa existência. O problema é que isso acabou se distorcendo a tal ponto que beira o insustentável. A Hipergamia obriga os homens a disputarem entre si, e em última instância, isso explica até as guerras, de modo que grande parte da tragédia histórica pode ser vista como nada menos que uma dedicada satisfação do impulso hipergâmico feminino, e sua contraparte, o poligâmico masculino. Ao passo que a retaliação direta ou indireta dos Betas, tanto homens quanto mulheres, completa o quadro.

Houve uma pequena confusão no tema do controle dos homens pela via sexual. Não falei sobre o controle sobre a fidelidade, mas sobre um hipotético controle civil mais ostensivo. Nesse caso, mesmo a infidelidade e promiscuidade poderia ser absorvida dentro do controle pela sexualidade. O mote central é que poder-se-ia controlar os homens de uma forma mais direta pela oferta maior ou menor de sexo de menor ou maior qualidade, de acordo com seu desempenho. De certa forma, é exatamente isso o que acontece a nível inconsciente, pela natureza, gerando todos os problemas examinados. Seria então o caso de que as mulheres assumissem esse controle de modo deliberado e ordenado.

Vou ter que examinar melhor a questão do Cromossomo Y, mas a afirmação fundamental pode ser remodulada para a mera existência da masculinidade, que surge posteriormente na história da vida. Já o tema do hímen, apesar de ser interessante e relevante sua colocação, eu não penso que tenha um impacto tão significativo quanto a simples gravidez porque toda sua importância se deu numa civilização já sob domínio masculino, que devido a necessitar ter certeza da paternidade, lançou mão dos mais diversos métodos de verificação e controle, apenas facilitados pela existência do hímen, que serve de controle posterior. Caso o mesmo não existisse, isso poderia ser compensado simplesmente por um grau maior de controle prévio. Já numa sociedade transhumana igualitária, o mesmo seguramente seria por completo dispensável, mas mesmo permanecendo, não creio que teria muita relevância.

Por fim, também há referência à castidade masculina, como o das lendas arturianas, onde a pureza de Parsifal era necessária para conseguir o Graal, ou a de Lancelot para garantir sua invencibilidade em combate.

Ethan of Athos está relacionado na lista das poucas androtopias no site GYNOTOPIA - Androtopias, e lembre que se trata de um contexto local em um universo ficcional muito mais amplo. Curioso inclusive notar que há um pouco de Esther Vilar no preconceito dos habitantes deste planeta em relação às mulheres, que entre outras coisas, eram vistas como escravizadoras de homens.

Finalizando, eu até comecei a escrever uma Distopia Feminista para o Universo DAMIATE, contando parte da história de KERENA (que teria essa fase antes da total extinção dos homens), porém, devido a uma série de indefinições ficou parada. Também já pensei em escrever uma espécie de Inimigo Meu / Inferno no Pacífico onde os representantes das duas "espécies" diferentes forçados à cooperar seriam um homem e uma mulher, provenientes de sociedades separatistas em guerra.

Mas você fala de apenas conceber as linhas gerais de uma ambientação desse tipo? Ou está pensando em escrever uma estória? De qualquer modo, é algo que tem faltado na FC, é seria muito bem vinda. E se você tiver alguma idéia que queira compartilhar ou pensar numa parceria, fico a disposição.

Mais uma vez agradeço a contribuição.

Amigavelmente

18 de Maio de 2012

   

          Dínis de Lima Vasconcelos -  1968

          Campina Grande-PB

          Servidor Público


      d i n i s . l i m a     b o l . c o m . b r

Olá Marcus,

Estive pensando sobre argumentação trazida na mensagem 831 pelo Henrique Martins, de que a Bíblia, em seus relatos, não estaria baseada em suposições errôneas ou equivocadas dos antigos povos, e me veio um fato que contesta essa afirmação: Seria a questão da ascensão de Jesus.

Para quem escreveu o Livro de Atos, nota-se o pressuposto de que o céu, como morada do deus judaíco, ficaria acima de nós.

Vide Atos 1: 9-11 “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco.Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir”

Este não seria um pressuposto comum aos povos antigos, de que os deuses têm a sua morada no céu, que se localiza fisicamente acima de nós, fato este que só foi desmetido na idade moderna ???

Cordialmente,

Dínis

Segunda, 30 de Abril de 2012

Tema: Bíblia, Teologia, Concepção de Mundo, Transcendência

Número de Caracteres

- Mensagem: 862

- Resposta: 2.359

Olá Dinis...

Bem, a mensagem em questão não é um bom exemplo de argumentação, e de fato existem concepções de natureza na Bíblia de acordo com seu contexto cultural, descrevendo o mundo por meio de visões mitológicas e lendárias. No entanto, há que se considerar o fato de que via de regra estão associadas a passagens de teor alegórico, o que pode lhes imunizar contra a acusação de descreverem literalmente uma noção equivocada de natureza.

No caso desta passagem dos Atos dos Apóstolos, penso que a questão seja distinta. Embora possa ser entendida literalmente, aliás, a teologia cristã depende disso, a alegação do Céu como estado localizado acima pode ser interpretada apenas como uma figura de linguagem compreensível, isto é, pode-se dizer que mesmo sendo o caso do céu estar num plano espiritual distinto, inacessível ao mundo físico, seria melhor usar uma ilustração que pudesse ser facilmente entendida pelos povos da época.

Claro que estou apenas prevendo um argumento comum por parte dos apologetas bíblicos. Não concordo com ele, mas permite, mais uma vez, escapar de um beco sem saída fatal. Também pouco importa a noção da esfericidade da Terra, porque a noção de céu pode ser mantida como uma esfera exterior, tal como sugerido pela teologia tomista.

O mais interessante, porém, é que de fato somente o avanço histórico e aumento do conhecimento do mundo permitiu afastar de vez essa noção de um céu espiritual fisicamente acima de nós, bem como de um inferno literalmente subterrâneo. Na realidade, mesmo no período das grandes navegações, noções como o do Éden perdido, e dos antípodas, ou da entrada para o inferno, ainda persistiram, só desaparecendo quando todo o mundo foi devidamente mapeado.

Também, somente o desbravamento dos céus e por fim do espaço também deu fim à crença antiga, obrigando-a a abrigar o reino celestial numa “dimensão” distinta, separada, definitivamente espiritual.

Tudo isso, porque a Bíblia, apesar do que muitos pensam a começar pelos crentes, não tem uma visão de distinção entre realidade física e realidade espiritual como sendo um plano extrafísico sutil. Pelo contrário, ela até mesmo considera o espírito em si como algo físico, um “sopro”, apenas discreto demais para ser devidamente percebido.

A transcendentalidade só se consolidaria na teologia muito depois, como única forma de salvar o sistema de crença, ainda que toda religião seja literal, ou potencialmente espiritualista, isto é, creia num plano transcendente além da matéria.

Em suma, não penso ser na base de passagens problemáticas que reside a insustentabilidade literal de uma crença bíblica, ou cristã plena. E sim que são exatamente questões mais sutis, como a distinção entre físico e espiritual, que apontam para um problema realmente grave.

Obrigado pela mensagem.

Amigavelmente

10 de Maio de 2012

   

         Fernando Ventura Bispo Santos    Araguápolis-AR  -  1975

   Funcionário Público   -   Cristão

625, 633, 635, 657, 665, 674, 681, 695, 699, 715, 745
754, 761, 766, 769, 780, 781, 783, 799, 816, 818, 828
a t t h o s m a t h e u s       g m a i l . c o m        

Oi Marcus, tudo ok!?

Esta mensagem é sobre teu último ensaio ESTADO x INDIVÍDUO.

Não tenho opinião formado sobre o assunto mais usando o bom senso creio que, como diria o Buda, a solução estaria no caminho do meio, ou como diria Aristóteles na mediania, ou ainda mais, como diaria o Cristo, "dê a César (Estado) o que é de César e a Deus (dar o íntimo a individualidade a ele) o que é de Deus.

Mas não pensei sobre isto é só uma opinião descompromissada. Seria prudente não conceder muito poder ao Estado, o tal do Leviatã.

Este teu texto de 2009 me fez lembrar de um debate do "Anti-mestre" com um tal de Duguin onde ele, este último, contrapõe o coletivismo/estatismo oriental com o individualistmo/liberalismo ocidental. Você se deslocou ligeiramente na direção duguiniana.

Recomendo, se não tiver lido ainda, que leia todo o debate. No mínimo no mínimo para que você possa dialitizar e comparar as posições e ver as semelhanças e diferenças das idéias dos dois pensadores com as tuas.

Veja aqui e site principal do Debate aqui: The USA and The New World Order (Com tradução em Português).

É isso ai. Até mais ver!

Terça, 10 de Abril de 2012

Tema: Filosofia, Política, Geopolítica, História, Nova Ordem Mundial, Teoria da Conspiração
Número de Caracteres
- Mensagem: 920
- Resposta: 9.600

Olá Fernando. Sobre o texto Estado X Indivíduo - Do Mínimo ao Máximo, ainda desenvolverei mais as idéias, e entendo sua preocupação com o poder do estado. Agora só direi que seria uma forma de Estado Democrático de Direito, onde esteja ao alcance de todos fazer parte do corpo estatal e governante, diferente de estados fascistas clássicos onde apenas uma elite tinha acesso aos postos de poder. E o Estado teria que ser mais forte que qualquer poder privado. Ao contrário de uma sociedade onde clãs multibilionários são completamente fechados. Qualquer um de nós, em tese, poderíamos ser ministros do supremo ou presidentes da república, mas quem pode fazer parte da elite econômica dos Eikes Batistas ou Matarazzos? Apenas quando o Estado for incondicionalmente mais poderoso que qualquer força privada, teremos uma sociedade mais próxima do ideal de Democracia.

É como o que o próprio Olavo de Carvalho (OC) frisa que é prometido por Alexander Duguin (AD): "“regulação pelo Estado dos setores estratégicos (complexo militar-industrial, monopólios naturais e similares) e liberdade econômica máxima para o médio e pequeno comércio”. Notem bem: não há grande indústria privada, nem grande comércio privado. Pequenas e médias empresas comerciais prosperam sob as asas do Estado onipotente." De que outra forma seria possível prevenir o surgimento de poderes como "O Consórcio", que com suas fortunas incalculáveis podem dobrar qualquer poder público? Incluindo o Congresso Americano!

Como você deve ter previsto, li todo O DEBATE e estou arrebatado pelo conteúdo. Não conhecia Alexander Duguin e suas teorias, e vejo agora com mais clareza alguns movimentos ideológicos globais.

Lamento que o debate tenha descambado para uma hostilidade interpessoal que, mesmo trazendo elementos paralelos enriquecedores, terminou num clima de baixo nível, principalmente por parte do OC, como seria de se esperar. Isso acabou tirando o foco do tema principal dos agentes globalistas em luta pela hegemonia planetária. Entendo os motivos de irritação do Olavo. De fato, Alexander Duguin é um tanto maniqueísta e insiste naquele desprezo gramsciano pelos indiferentes, bem como sofre daquele tipo de adesão aparentemente obrigatória à sua própria cultura e tradição que sempre me deixa desconfiado da potência pessoal de realizar escolhas livres, que é inquestionável no OC.

Mas não vi necessidade da previsível apelação olaviana para a ofensa pessoal. AD, apesar de tudo, tentou ser respeitoso o polido durante quase todo tempo, e penso que foi muito mal intepretado quando colocou elementos mais pessoais em questão, que a meu ver não tinham intenção alguma de denegrir o interlocutor, foi apenas uma tentativa de tentar entender a individualidade de um dialogante que ele não conhecia.

Infelizmente, como OC tem na agressividade um meio de arrancar do dialogante certas "confissões" ou "revelações" sobre o que possivelmente procura esconder, e como AD não é o tipo dado a discussões ácidas, isso terminou nos privando de um esclarecimento maior do tema.

Exceto em casos de imensa desigualdade de forças, não acredito em "vencedores" de debates. A maioria pode no máximo demonstrar a superioridade retórica ou de articulação de um lado, mas mesmo quando parece mostrar uma superioridade intelectual ou de integridade do sistema de pensamento, este sempre poderá se remodular, até mesmo instantaneamente, a sobrepujar com vantagem a dificuldade. Diferente de uma luta corpórea onde os combatentes são limitados fisicamente, numa luta mental os sistemas de pensamento são virtualmente inesgotáveis, podendo se transformar, "ressuscitar", absorver parte do outro, etc, numa dinâmica sem fim! Como a da animação Prelude do Eden e a infindável luta entre a força Amarela e a Vermelha, sempre evoluindo para uma forma mais forte após sofrer um revés.

A única coisa que permite a ilusão de que debates de tal nível possam ser vencidos, além de quando uma das partes simplesmente perde a paciência e desiste, é que eles tem que ser de alguma forma limitados e interrompidos em algum pondo, o que quase sempre dá uma enorme vantagem a quem teve a chance de falar por último.

OC conseguiu desmascarar algumas posturas do professor Duguin, mas a custa do ocultamento de algumas deficiências pessoais, o que poderia render-lhe a justa acusação de desviar a atenção de pontos onde é mais fraco.

Por exemplo, AD passou perto, e teria acertado se tivesse continuado, de demonstrar com clareza que a postura de OC não é científica coisa nenhuma, e sim, tão comprometida com uma ideologia quanto qualquer outra, com a única diferença de que tal ideologia pode passar menos percebida como tal. Ele destaca como as forças positivas no mundo, que possuem a sua simpatia apesar de estarem marcadas para morrer pelas forças globalistas: "(1) as comunidades cristãs, católicas ou protestantes, de todos os países; (2) a nação judaica; (3) o nacionalismo conservador americano.", no que parece um estranho esforço para esconder o óbvio fato de que tudo pode ser resumido numa coisa só. O Cristianismo conservador, cujo o apóio nos EUA à Israel é principalmente fomentado pela direita cristã e sua estranha adoração à metade velho testamentária do cristianismo, ao mesmo tempo que, ao rejeitar qualquer forma de ateísmo, materialismo e mesmo agnosticismo, OC não poderia estar incluindo no conservadorismo nacionalista as forças de teor originalmente iluministas e posteriormente de tendência fascista

Assim, o que ele "simpatiza" é com o Cristianismo Conservador, originalmente Católico, como venho dizendo há 4 anos desde a Mensagem 649. O Catolicismo, como o próprio nome sugere, já foi uma das maiores, talvez a maior força Globalista da história, filha direta do Império Romano, e num certo grau ainda é, só que perdendo para as outras forças citadas, e que assim, como "todos precisam de amigos" (como o disse AD), pode admitir identidades não católicas com aliadas, e até um estado judeu que deve aos EUA sua própria existência, e maior opositor do primeiro grande opositor do cristianismo, o Islã.

Ou seja, OC está sim ao lado de uma força globalista, que inclusive admite alianças com antigos adversários contra inimigos comuns mais fortes. A única diferença é que tal força está em desvantagem contra as adversárias atuais.

Estas seriam, segundo eles próprios que concordam nesse ponto. O O Califado Islãmico, o Comunismo Eurasiano, e a Elite MetaCapitlaista Internacional com influência primordial sobre os EUA, contra os interesses dos próprios americanos. AD conclama a aliança dos primeiros contra o último, mesmo sabendo de suas divergências estruturais absolutas, porque no momento é melhor se aliar contra o inimigo comum. A única diferença é que ele vê a Elite MetaCapitalista, chamada por OC de "O Consórcio", como mais aliada do que adversária dos próprios EUA, resultando no tal Imperialismo Norte Americano. OC, por sua vez, não só enfatiza essa divergência entre o Consórcio e os próprios EUA, como ainda o associa às demais, frisando uma aliança entre as 3 forças globalistas em ação, em oposição sobre tudo à civilização cristã. Nesse ponto, é difícil dizer quem é mais maniqueísta.

AD conclama a uma luta entre o Oriente e o "Resto" (East against Rest), e OC o faz entre o Cristianismo Conservador e o Resto, com a única diferença essencial de que ele está mais focado na luta entre mentalidades do que numa ofensiva militar, no que eu também prefiro. Quando se apela ao conflito físico, é porque o conflito mental já foi perdido.

OC desde o começo aponta sua falta de poder sobre qualquer força ou ideologia de destaque, em contraste a seu dialogante. Mas seria isto o resultado de uma escolha pessoal ou apenas a conformidade com uma situação já irreversível? Teria ele a mesma postura se alguma força maior decidisse apoiá-lo e financiá-lo como mentor ideológico? É fácil posar de analista científico descompromissado quando já se está excluído dos círculos de poder.

No que se refere a minha visão do tema, sinceramente acho apenas 1,5 das forças citadas são realmente candidatas à dominação global. O Islã, e nem digo exatamente do "califado", e o comunismo ao modelo chinês, deixando a Rússia de lado.

Por mais dinheiro que tenha a Elite Metacapitalista, falta-lhes a potência fundamental das mentalidades norteadoras, que é se apoiar em forças psicossociais primordiais que são, essencialmente, incontroláveis! Como venho dizendo há tempos ao falar sobre teorias de conspiração, ao menos desde a Mensagem 755, nunca duvidei que essas dinastias riquíssimas estivessem tentando controlar o mundo, o que duvido é que eles consigam! Mesmo que tivessem uma união muito forte, numa sociedade que conseguisse neutralizar os egos diferentes de cada um dos seus poderosíssimos integrantes e condicioná-los num sentido comum, e mesmo conseguindo um acobertamento total de suas ações, que como já vimos não é o caso, eles jamais conseguiriam controlar o Caos que é a mutiplicidade de forças psicossociais envolvidas. Eles podem influenciar muito, podem moldar aspectos e de certo fazem diferença, mas não tem como assumir o controle pleno da história, até por motivos que o próprio Olavo apontou da impessoalidade dos eventos históricos que só posteriormente agentes pessoais tentam se apropriar.

Por motivo similar não aposto num Império Russo. Uma vez tendo seus bilionários também, deveria ser óbvio que já está em ação um Consórcio russo, ou integrando O Consórcio, o que por mais que pudesse se aliar aos interesses do tal comunismo eurasiano, também haveria divergências. Assim, também não creio muito numa união estável entre Rússia e China. Penso que a médio ou longo prazo, os chineses deixarão os russos muito para trás e aperfeiçoarão um modelo muito mais centrado em sua própria identidade cultural. Não digo apenas pela diferença populacional espantosa envolvida, nem só pela distinção étnica, mas sobretudo pela diferença do modelo estatal chinês.

Os chineses conseguiram aliar de forma muito eficiente os interesses de suas próprias elites com os interesses da maioria populacional, coisa que, se o OC está certo, não ocorreu na URSS. AD está certo ao frisar que o elemento socialista, ao promover ascensão econômica nas classes menos favorecidas termina por uní-las num movimento mais harmônico que tende a superar suas divergências inatas.

Assim, esse modelo socialista chinês tende a ter repercussão internacional, angariando simpatias em toda parte do mundo. Como AD frisa, as nações "independentes" que a princípio não fazem parte direta das 3 grandes forças globalistas, como o Brasil, podem ser facilmente cooptados por esse modelo social centrado na China, que tem dado exemplos espetaculares de crescimento. Mesmo que não se integrem suficientemente a ele, irão fortalecê-lo. Bem diferente do estilo mafioso russo.

Ainda mais com a decadência do Neoliberalismo e ascensão dos nacionalismos, quer por afinidade ou por contraste, vejo uma tendente aliança entre o socialismo chinês e os socialismos do resto do mundo, incorporando alguns tons liberais.

Já o Islã, dispensa comentários.

Confisque o dinheiro das Elites Metacapitalistas, e sobra um punhado de almofadinhas. Ou mate uns mil indivíduos, e eles acabam. Não dá nem pra pensar em algo parecido com a China ou o Islã. E vou parar por aqui para respeitar meu próprio limite de caracteres.

Mas ainda vou falar muito sobre o assunto.

Amigavelmente
2 de Maio de 2012
   

          Wagner de Almeida Medina -  1963  -  São Paulo

          Téc. enfermagem SAMU

485 473 472 462 435 404

      w m e d i n a     i g . c o m . b r

Olá Marcus, tudo bem?

Espero que sim.

Li seu ótimo texto sobre A Bíblia e o Universo Aquático que trata sobre a não criação das águas, muito bom.

Há nesse capítulo, para mim, um outro detalhe interessante.

Na Gênese, capítulo I, versículo 3 Deus disse: "Haja luz; e houve luz" e o primeiro dia se encerra com a separação entre luz e trevas.

O sol, a lua e as estrelas são criados apenas no quarto dia e há separação (de novo?) de luz e trevas. Gênese, cap. I, vers. 14, 15, 16, 17, 18.

Sendo assim fica a pergunta:

Se todos os astros criados para iluminarem a Terra surgiram apenas no quarto dia que luz era essa criada no primiero dia?

Abraços.

Segunda, 9 de Abril de 2012

Tema: Teologia, Bíblia, Gênese, Interpretação

Número de Caracteres

- Mensagem: 524

- Resposta: 1.348

Olá Wagner! É um prazer tê-lo de volta.

Até demorei a me lembrar de você. Sua última mensagem (485) foi há 7 anos!

Na verdade, este texto é referente ao outro site, no entanto, o tema é comum, e considerando sua longa ausência, fiquemos por aqui mesmo.

Bem, só toquei especificamente nesse tema em respostas a mensagens, mas de qualquer modo, a melhor interpretação possível é considerar essa luz em questão num sentido simbólico, ou até num sentido idealista, como sendo a natureza da luz, que depois seria implementada nos astros. Ou então admití-la como um tipo de luz prévia, como uma guia para a posterior construção dos astros, que depois passariam a absorvê-la.

Pode-se também misturar tal idéia com o recuo narrativo, como se o os primeiros versículos dessem uma idéia geral e os demais retomassem e especificassem. Mas quando se associa à narrativa do início do evangelho de João, reforça-se o sentido simbólico de que a Luz seria antes algum tipo de 'Ser" primordial, e a tal separação, a distinção entre o Ser o Nada.

Em suma, há várias formas de se interpretar, e como sempre insisto, sendo uma narrativa simbólico poética que tenta tanger o indizível, o limiar da existência, não haveria como não ser obscura, até mesmo contraditória. A Gênese é a tentativa mítica de esboçar uma origem para o universo, e mesmo as mais avançadas construções filosóficas e científicas também esbarram na irracionalidade quando se está no limiar do entendimento, da existência,

Finalizo lembrando, e devemos lembrar sempre, que não há forma mais triste de destruir tudo isso do que a interpretação literal.

Amigavelmente

27 de Abril de 2012

   

          Reginaldo Gotardo -  1982  -  Ribeirão Preto-SP

          Empresário; Professor Universitário; Pesquisador



    r e g g o t a r d o     g m a i l . c o m  

Olá Marcus, como vai?

Li seu texto, a Defesa do Demônio e gostei muito da sua defesa lógica e semântica sobre a interpretação do tema.

No entanto, nesta semana, a população sofreu uma derrota no STJ no tange ao uso do bafômetro e exames de sangue para comprovação da Embriaguez.

Concordo absolutamente com sua argumentação e vou além: que a lei seja alterada (teremos revisões no código penal, conforme notícias desta semana)! Que o motorista seja obrigado por lei a "assoprar o bafômetro" ou mesmo que a embriaguez constitua crime e que possa ser passível de flagrante policial (ou civil, visto que um civil pode "dar flagrante", rs), evitando esta frase que todo mundo adora usar (não sou obrigado a produzir provas contra mim).

Minha pergunta a você é: seu texto é de 2008. Como ele repercutiu (além de algumas críticas que vi no site)? Como você está divulgando este conteúdo tão interessante?

Seria importante "Treinar" policiais com um vasto conhecimento jurídico para que possam enfrentar motoristas que só saibam pronunciar tal princípio (cuja validade é discutível: concordo contigo, tal princípio não existe!).

Abraço e parabéns pelo seu trabalho.

Reginaldo

Domingo, 1 de Abril de 2012

Tema: Sociedade, Drogas, Alcoolismo, Justiça

Número de Caracteres

- Mensagem: 978

- Resposta: 1.119

Caro Reginaldo. Obrigado por sua mensagem e desculpe a demora em responder.

A boa notícia é que o projeto de lei que visa contornar a medida do STF, dobrando o valor da multa, aceitando testemunhas e penalizando a recusa, tem ótimas chances de sucesso, e penso que apesar de tudo, e até para minha surpresa, a conscientização sobre o tema tem aumentado muito e parece que estamos muito bem encaminhados para uma melhor política sobre o mesmo.

Difícil saber o quanto meus textos influenciam, não posso medir tal influência pelo número e qualidade de mensagens que recebo. Já vi textos que jamais receberam um comentário serem replicados em outros sites e até revistas, e quando verifico as estatísticas, costumo me surpreender. Acabo de ver agora que o texto Defesa do Demônio neste mês já teve 291 acessos, o que, em média, deve dar por volta de 100 visitantes diferentes, embora seja impossível saber quantos de fato o leram por completo.

Fato que além das mensagens recebidas no site, algumas das quais em textos correlatos como A Droga da Incoerência, muitas que não cheguei a responder e manter no ar, há também e-mails que até me contam dramas pessoais. Mas sei que alguns desses textos sobre o tema já foram usados por professores e líderes de comunidades para exercícios pedagógicos.

Ainda devo voltar a esse tema. Obrigado.

Amigavelmente

21 de Abril de 2012

   

          Henrique Martin -  1988  -  Bagé - RS

          Engenheiro Civil

          Testemunha de Jeová


            h e n r y k s s       h o t m a i l . c o m

Ha pouco tempo resoli me tornar Testemunha de Jeova. Para isso antes resolvi ter certeza do que acreditar. Com uma oração antes comecei a ler sobre a BIblia na internet procurando algo contra com uma mente humilde. Apesar de quase todos os sites serem favoráveis e os contras eram um pouco ignorantes, eu achei esse que tem uma linguagem mais inteligente.

Sobre um artigo que fala sobre: Alguns estusiastas afirmam que a Bíblia:

1 - Nunca declarou o Geocentrismo.

2 - Apresenta o conceito de uma Terra esferóide.

3 - E chegaria ao ponto de subentender a Força Gravitacional.

COncordo em parte. Tambem acho que em geral a Biblia nos ve como Geocentricos e terra plana.

Mas isso não me surtiu efeito (acredite, estou a procura de algo me me surte efeito) visto que um livro ser atão antigo e se tar exigindo que Deus ensine antes para os seus profetas uma lição de ciencia antes de escrever suas visoes seria pedir demais. Éra de se esperar que as pessoas falassem como pensassem. Isso é meio obvio. Não consigo imaginar moises dizendo: Então deus criou a via lactea e colocou o Sol no centro e a Terra era o terceiro planeta.

Por mais bem feito que ficou seu texto, onde voce diz que os cristãos estao desesperados para provar que a biblia é verdadeira, eu notei um desespero similar no seu texto. Muitas palavras que tem pouco efeito ou praticamente nada.

Esperava algo do tipo: A biblia diz que dentro das motanhas moram um animal de fogo gigante. Ou algo do tipo: As nuvens são deuses que choram e por isso molham a terra. Afinal o livro de Genises é muito antigo.

Voce que tem admiração pelos Gregos, ja leu sobre a Criação da terra por parte deles? É algo do tipo, um deus morre e vira o sol, o outro morre e vira a lua. Os cabelos de outro viram as arvores.

Continuo em buscas de provas verdadeiras de que a BIblia seja falsa. Não duvido que seja, pois estou nessa busca para decidir se Deus realmente existe. Primeiro pretendo estudar esses lados contras, mas pelo jeito esse livro tão antigo ta firme e forte e isso me parece um bom sinal.

Abraço.

Sexta, 30 de Março de 2012

Tema: Religião, Bíblia, Senso Crítico, Leitura, Conversão

Número de Caracteres

- Mensagem: 1.681

- Resposta: 5.072

Prezado Henrique...

Obrigado por sua participação. Mas devo avisar que escreveste uma das mensagens mais estranhas que já recebi neste site.

Então você está na iminência de se tornar, ou está se tornando Russelita, mas antes precisa ter certeza do que acreditar? Até aí tudo bem. Mas para testar essa certeza, você parte para leituras contestatórias "após fazer uma oração"?!

Mas essa oração não evidencia que você já decidiu acreditar e só está procurando sofisticar sua crença para poder enfrentar argumentos?

E o pior. Você procura por "Provas de que a Bíblia seja Falsa?!"

E ainda por cima confunde a questão da existência de Deus com o fato da Bíblia ser falsa ou verdadeira?

Falsa em que sentido?

Meu amigo... Que confusão!

Vejamos. Eu recomendaria a você ler É A Bíblia Divina, mas nem tenho certeza se já o fez porque a exemplo de sua leitura confusa de A Falsa Inerrância Cienfícia da Bíblia, poderia tê-lo feito e não ter entendido.

Mas vou tentar esclarecer alguns pontos.

Em primeiro lugar, um dos princípios mais elementares da argumentação e do bom senso, é que quando se faz alguma alegação que fuja da normalidade, que viole a experiência comum, cabe a quem alega ter evidências da afirmação. Em suma, Ônus da Prova cabe ao Proponente.

É por isso que você não poderia ser preso se eu simplesmente dissesse que você cometeu um crime mas não apresentasse evidência alguma, esperando que você prove que não o cometeu.

É também a violação desse princípio básico que faz com que milhões de pessoas sejam vítimas de enganadores.

Assim, se a Bíblia é um livro divinamente inspirado, cabe averiguar se isso é verdade, e examinar se os que assim afirmam, ela própria inclusa, tem realmente evidências para sustentá-lo. Uma vez que fenômenos sobrenaturais como os descritos por ela são nada comuns, e não temos qualquer evidência segura da existência de um Deus ou do mundo Espiritual.

E aí, o que faço em É A Bíblia Divina é basicamente demonstrar que os argumentos usados na tentativa de provar sua característica sobrenatural são todos falhos, não havendo então qualquer evidência concreta de que ela seja mais do que uma obra puramente humana, ainda que seus autores acreditassem no contrário.

É importante, todavia, lembrar que isso não significa "provar" que a Bíblia não é inspirada divinamente, e muitíssimo menos que ela não seja verdadeira. Seja lá o que isso signifique, pois pra mim ele é bem verdadeira! Existe mesmo, e eu já a li várias vezes e já a vi em inúmeras versões. Agora, se é fruto de uma sabedoria sobre humana... Para isso eu já não vejo qualquer evidência favorável.

Lembrando também que "Deus" é um conceito muito mais amplo e pode nada ter a ver com a Bíblia. Ou seja, pode muito bem existir uma Divindade qualquer, mas a Bíblia continuaria a ter sido escrita por pessoas normais em condições completamente normais.

Mas além de tudo isso, você está entrando num religião que é um segmento bastante minoritário entre os que crêem na divindade bíblica. Ou seja, poderia até ser que a Bíblia fosse mesmo divinamente inspirada. Mas quem possui a melhor interpretação dela? Quem realmente a entende? Os Católicos, os Protestantes, os Pentecostais, os Adventistas, ou no seu caso, os Russelitas?

Há pelo menos 3 níveis de crença envolvida aqui. A da mera existência de Deus, da inspiração divina da Biblia, e saber se a interpretação de Charles Taze Russel é a mais adequada. Sinceramente, vejo um grau crescente de improbabilidade.

Do meu ponto de vista, a primeira questão é absolutamente indecifrável, portanto pode começar pela segunda, o que, no caso de uma conversão a alguma das religiões que adoram a Bíblia, costuma resultar numa incorrigível certeza de ter solucionado essa primeira questão, o que JAMAIS envolve qualquer tipo de argumentação definitiva ou prova pacificadora. Costuma ser por Fé mesmo.

Para a terceira, se você está interessado mesmo em ter melhores elementos para decisão, caberia examinar os depoimentos de ex testemunhas de jeová e críticos da religião em geral.

Mas entenda. Ninguém lhe dará certezas inquestionáveis, pois a perpétua dúvida faz parte da carência humana e nada nos caracteriza melhor do que essa incapacidade de estar definitivamente certos.

Resta então apenas comentar alguns dos equívocos que cometeste sobre meu texto.

Nem estou "desesperado" para o que quer que seja, nem penso que os apologetas da inerrância científica bíblica também estejam. Esse tal desespero normalmente ocorre aos que estão em crise de fé, mas nem penso que os autores de tais textos se enquadrem nessa categoria. Até pelo contrário, penso que antes são meras tentativas, ao pior estilo "auto ajuda", para aqueles que porventura estiverem desesperados.

Como deixei bem claro no meu texto. "Minha intenção aqui não foi de forma alguma combater a Bíblia, ela é uma obra literária que merece todo o nosso respeito como patrimônio cultural da humanidade, mas sim a atitude desonesta e covarde daqueles que se valem da ignorância alheia para impressionar e seduzir outras pessoas a uma fé que talvez não lhe seja vocativa."

Os argumentos, embora tenham a curiosa peculiaridade de serem irrebatíveis, não podem provar nada além de neutralizar as provas contrárias, e de fato não podem surtir o menor efeito nas mentes carentes que precisam ser aceitas num grupo social acolhedor, que serve de suporte psicológico para solucionar os mais diversos tipos de problemas pessoais, e para o qual o comprometimento de fé, bem como a contribuição financeira, é imprescindível. E não estão nem um pouco interessadas em raciocínio lógico ou metodologia científica, ou mesmo em estudar a cultura dos povos onde a Bíblia foi escrita.

Ou saberia que as cosmogêneses gregas se dividem entre as mitológicas e as filosóficas, e possuem inúmeras versões bem mais elegantes do que as da Teogonia de Hesíodo ou similares.

Portanto, meu caro, se você quer se converter e entrar num grupo religioso, é uma decisão sua, mas se realmente quer estudar e entender as questões envolvidas antes de tomar uma decisão, precisa se esforçar mais.

Amigavelmente

9 de Abril de 2012

   

          Marc Kellyson -  1996  - Rondonopolis - MT

          Estudante

802, 805, 806, 807, 822, 825, 829

      d j m a r c _ r o o       h o t m a i l . c o m

Olá, Marcus. Eu ando lendo frequentemente dois sites, o seu e da Inovação Tecnológica. Queria saber se alguém cuja idade tao nova pode criar uma obra de ficção científica 'perfeita"?

Quinta, 16 de Fevereiro de 2012

Tema: Ficção Científica, Escrita e Produção Literária, Perfeição

Número de Caracteres

- Mensagem: 827

- Resposta: 1.831

Olá Marc...

Desculpe a demora, mas eu estava de férias, inclusive fora do Brasil, e quando viajo costumo dar um tempo de computadores.

Bem. Eu não acredito em 'Perfeição'. Minha monografia DEUS ME LIVRE é basicamente um desenvolvimento filosófico sobre isso, onde vejo a idéia de perfeição como, entre outras coisas, uma absurda negação da infinitude.

Mas uma pessoa muito jovem pode sim criar obras literárias excelentes, ou mesmo que conquistem grande sucesso. Mary Shelley, ao escrever Frankenstein, tinha 17 anos!

Muito interessante o site da Inovação Tecnológica, e se sua intenção é escrever FC tecnológica, ao estilo Hard Sci Fi, pode ser bastante útil, pois este gênero se caracteriza exatamente pela atenção as possibilidades científicas e tecnológicas rigorosamente dentro de nossos conhecimentos atuais.

Pessoalmente, sou adepto de possibilidades mais extremas, sem compromisso pleno com nossos paradigmas científicos atuais, mas tendo sempre o cuidado de embasar os conceitos da forma mais racional possível, inclusive desenvolvendo teorias para dar suporte às idéias.

Meu conselho...

Vá em frente, e não se preocupe tanto em fazer algo definitivo, pois é bem provável que suas idéias e concepções evoluam com o tempo, muitas vezes passando a discordar de idéias anteriores. Não é nada difícil que o que você escrever daqui a 10 anos seja bem diferente, até contrário, ao que escreve hoje. Não deixa de ser um desafio harmonizar essas divergências.

Eu por exemplo, escrevi As Senhoras de TERRANIA há 13 anos, e um dos motivos pelo qual nunca a publiquei, além de nunca ter terminado o quarto livro, e que preciso reescrever algumas partes do primeiro.

Todavia, há algo que você precisa aperfeiçoar. Sua escrita. Você ainda escreve de um jeito muito confuso, tanto ortográfica, gramatical e semanticamente. Sei que é tendência atual escrever de forma rápida e descuidada em e-mails, posts e MSNs em geral. Mas é preciso fugir dessa armadilha, que com o tempo só empobrece a capacidade comunicativa das pessoas.

Esforce-se para escreve bem e corretamente o máximo possível, pois isso vai fazer TODA a diferença, e toda falta, quando você for escrever suas estórias.

Amigavelmente

4 de Abril de 2012

   

          Marc Kellyson -  1996  - Rondonopolis - MT

          Estudante

802, 805, 806, 807, 822, 825

      d j m a r c _ r o o       h o t m a i l . c o m

Adorei o ritmo da história, principalmente do personagem que eu adorei mais, o Luri. E DAMIATE também. Gostei dele porque ele é altamente misterioso. Gostei de uma parte em que ELE aparece e todo mundo fica assustado, menos o outro Anjo Estelar que é o Zentaris. Acho o Zentaris mais sinistro por causa de ele ter chegado no Planeta Fantasma imperceptivelmente. Ele usou algum tipo de teletransporte(sei que teletransporte é uma coisa rara), mas estou em dúvida.

Estou em dúvida sobre o desenrolar da sua história, especificamente a parte em que Genius(acho que o nome é esse), uma frota, entrou no planeta fantasma e as nuvens "atacaram", enquanto os outras frotas entraram sem ser ferido. Pode me explicar isso?

Adorei a parte em que o DAMIATE entra para levar a Dobuk e anda calmamente, aí os seguranças ficam com medo de atirar nele.

Sei que é demais chato, mas poderia fazer um outro Livro Virtual. Já li todos os seus livros e posteriormente perguntarei sobre eles, mas no momento ainda não.

Quinta, 16 de Fevereiro de 2012

Tema: Ficção Científica, Universo DAMIATE, Planeta Fantasma

Número de Caracteres

- Mensagem: 827

- Resposta: 815

Olá Marc...

Que bom que gostou de PLANETA FANTASMA, e será um prazer responder suas perguntas quando elas vierem.

Já estou escrevendo novos livros virtuais, mas não tenho previsão de quando ficarão prontos. Espero lançar ao menos um ainda este ano.

Quanto a questão da Genius, foi a primeira vez que uma quantidade maior de pessoas, 13, entrou no planeta, e sem nenhum telepata para protegê-los. Antes o trio de exploradores iniciais era liderado por Lunis, e foram atacados sim. Então, na entrada da Genius, e considerando que as entidades de NOVITA-5 já estavam mais despertas, IOGSOTOT deliberadamente decidiu derrubar a nave.

E por fim, Zentaris possui sim um método de viagem interestelar que equivale a um teleporte, baseada na idéia de que pontos distintos da galáxia submetidos a campos gravitacionais muitíssimo similares desenvolvem uma ligação, tema que poderá ver nos textos de Tele Transporte e Viagens Espaciais.

Aguardarei suas questões.

Amigavelmente

18 de Fevereiro de 2012

   

         Fernando Ventura Bispo Santos    Araguápolis-AR  -  1975

   Militar   -   Cristão

625, 633, 635, 657, 665, 674, 681, 695, 699, 715, 745
754, 761, 766, 769, 780, 781, 783, 799, 816, 818
a t t h o s m a t h e u s       g m a i l . c o m        

Saudações senhor Marcus, envio esta mensagem só para parabenizar-te e incentivar-te a continuar publicando tua filosofia excelente. Passei batito o teu texto sobre o abismo (águas de profundeza) que publicastes em dezembro, só agora com o link no texto da filosofia do caos que vi.

Tenho uma imterpretação sobre o simbolo do masculino orbitando o feminino.

O atrator feminino é a mãe o orbital masculino é o pai, por exemplo, eu vivo puxando meu filho de 5 anos para sair para passear e outros lugares etc, minha esposa vive segurando ele, mantendo dentro de casa, vai chover, faz calor, é perigoso etc. Creio que desce equilibrio de forças (em sentido psico-sociologico) depende sua sanidade mental ou no mínimo normalidade (na norma).

Este é só um aspecto da questão.Vejo o simbolo que você inventou como: PAI-MÃE. Talvez não concordes, o que achas? Polaridades cambiantes, em monções intercambiáveis indefiniveis seria problemático não acha?

A proposito o que acha de um trecho de um negocio que comecei a escrever mas estou sem tempo de concluir? EMBARGAREI, SABOTAREI, ABORTAREI TUA USINA DE ALMAS!

Obrigado por tudo e mais um vez parabéns!

Terça, 31 de Janeiro de 2012

Tema: Filosofia EXERIANA, Filosofia do CAOS, Forças Feminina e Masculina, Gravidade
Número de Caracteres
- Mensagem: 959
- Resposta: 4.378

Caro Fernando...

Obrigado por sua apreciação e atenção, e será um prazer comentar sua mensagem.

De fato, é claro que a noção de Forças Feminina e Masculina, como forças fundamentais do universo, são aplicáveis às correlações por você citadas. Mas algo que sempre devo frisar, é que certamente é O MAIOR obstáculo a um entendimento melhor dessa minha filosofia, é que nunca se pode igualar tais forças, que são primordiais, aos sexos em si, visto que tudo, para existir, depende da interação de tais forças.

Assim, é certo que um pai e uma mãe, por serem homem e mulher, frequentemente costumam encarnar aspectos físicos e psicológicos das forças primordiais, mas SEMPRE LEMBRANDO que, principalmente a nível psicológico, ambos possuem as duas forças, e que facilmente os papéis podem se inverter, ocorrendo então situações onde o pai seja mais atração e contenção e a mãe mais movimento e dinamismo. O que, TAMBÉM IMPORTANTE, não tem relação direta com preferências sexuais, como quase sempre alguém gosta de apontar.

Mas o enfoque na dicotomia Mãe / Pai também não pode ser enfatizado demais, correndo o risco de levar a outros problemas. Mãe, enquanto Mulher, e Pai enquanto Homem, são apenas uma das manifestações de duas forças cujas características criadoras são um tanto mais sutis. No nível biológico, é certo que pai e mãe, detém, cada qual, 50% do conteúdo genético do novo ser, ainda que a fêmea se ocupe de mais de 99% de todo o trabalho reprodutivo. Porém, no nível primordial, a relação está mais para este último, visto que todo o ser está no núcleo, no Feminino. O Masculino só faz provocar uma separação, ou uma distinção. Ele de fato não injeta ser.

Em outras palavras, O CAOS É FEMININO! Permitindo até o trocadilho A "CAOSA" (Causa)! É nele que está todas a potencialidade existencial. O que o Masculino faz basicamente é distinguir, selecionar.

Isso vai ao encontro da imagem mitológica primordial do Demiurgo, masculino, moldando o universo a partir do Caos, feminino.

Ou, podemos dizer que o Masculino dá Forma à Substância, à MATÉRia. É o Télos, que dá forma ao Caos produzindo o Kósmos.

Assim, a Força Masculina participa apenas com a parte abstrata do Ser, nunca com sua substância, como acontece numa reprodução sexuada.

Está me dando uma vontade dana de falar por mais algumas horas aqui, mas vou segurar o ânimo e deixar para o próximo texto sobre a Filosofia do Caos.

Sobre seu texto, eu já o havia lido sim, é achei muito bom, mas me abstive de comentar porque o mesmo está inacabado, e não consegui compreender o título, que, pensei, seria explicado na segunda parte.

Bom ver que mais alguém se interessa por um tema que denomino de "Astropsicologia", talvez 'Fisiopsicologia", que seria o estudo do modo como a realidade física, em especial astronômica, moldou a mente humana. Fico imaginando como poderíamos pensar diferente se vivêssemos num mundo com mais de uma lua, ou mais de um sol, ou com outros astros notáveis, e o mais interessante, como você sugeriu, se tivesse alterações mais drásticas na concepção natural.

Como pensariam seres que vivessem num universo sem orientação gravitacional? Sem noção de cima e baixo. Noção está, como você bem demonstrou, fisicamente equivocada?

Algo que mereceria um esforço maior de reflexão é o modo absolutamente acrítico com que a humanidade sempre aceitou que as coisas caem, pensando originalmente num sentido universal para a queda, sem jamais se questionar o por quê disso! Como dito em O CAOS Aquático da Bíblia, que creio ser o texto a qual você se referiu sobre o Abismo.

A Gravidade é a mais oculta e misteriosa de todas as divindades. Pois mesmo sendo a força mais onipresente de todas, nunca, jamais uma única mitologia sequer desconfiou de sua existência!

Bom ver também seu aproveitamento da 'Revolução Copernicana' do esquema visual do Bem e Mal. Algo que, por outro lado, me oferece um desafio de compatibilidade com minha Filosofia do CAOS.

Porém, queria atentar para um detalhe. Não que seja um erro, mas recomendo cautela com afirmações que podem dar a entender "Centro de Gravidade" num sentido equivocado. Pois as vezes pode parecer que a Gravidade é gerada no centro do planeta, como se fosse um gerador gravitacional localizado, quando na verdade o centro é exatamente o local mais livre de uma ação gravitacional visto ser onde elas se anulam. Ora, toda e qualquer massa gera força gravitacional, o centro de gravidade é apenas um referencial abstrato onde o somatório de forças tende a zero.

Uma consequência disso é que se é certo que quanto mais próximos de um planeta mais sentimos sua gravidade, se começarmos a mergulhar dentro do planeta, isso se inverte. Não temos como notar isso praticamente por que nunca fomos muito fundo na crosta terrestre, mas se mergulhássemos o suficiente, começaríamos a sentir a gravidade cada vez mais fraca, até que, perto do núcleo, sentiríamos microgravidade.

Mas vou ficar por aqui. Espere o próximo texto sobre Filosofia do CAOS e eu esperarei a próxima parte de seu texto EMBARGAREI, SABOTAREI, ABORTAREI TUA USINA DE ALMAS!, bem como do textos sobre a Negatividade do Mal, CREMOSO OU CROCANTES.

E você não estava também escrevendo uma nova estória de Ficção Científica? Que recontava a o Mito do Paraíso Perdido?

Amigavelmente

8 de Fevereiro de 2012
   

          Mario Campos de Jesus - 1963 - Seropédica-RJ

          Tecnico em Contabilidade

217, [217.1, 217.2, 217.3], 228, 362, 575, 579, 622, 690
739, 742, 748, 750, 751, 756, 759, 765, 770, 776, 815, 824,
mariocamposdejesus       u o l . c o m . b r      

Caro Marcus, uma rápida divagação. Sobre a mensagem postada no evo.bio de número 200 do Artur Santos, me veio à lembrança algo que há algum tempo tenho pensado. A respeito da existência de outra dimensão, um mundo espiritual, que explicaria muita coisa sobre nossas origens, nosso futuro existencial, o que pensei é que talvez nada disso exista de fato e tudo que existe está no nosso próprio domínio perceptível – nesta dimensão mesmo – neste nosso nível existencial – e que ele é o único que existe. O que quero dizer é que esse suposto mundo espiritual, essa suposta outra dimensão, esse algo indetectável seria uma mera energia (aqui incluiria nossa mente – nossa alma). Costumo imaginar que seria como as ondas de rádio, os sinais de onda das telecomunicações, que embora estejam em toda a parte, não percebemos com nenhum dos nossos cinco sentidos, mas basta um receptor adequado e tudo se revela. Então acho que um dia, com a ciência (com a tecnologia), ‘acertaremos’ a sintonia e descobriremos tudo. E aí ocorrerá como no passado, como quando algo era inexplicável julgávamos sobre natural e após descoberto o princípio entrava para a classe das ciências naturais.

Segunda, 16 de Janeiro de 2012

Tema: Materialismo, Monismo Mentalista, Hipótese Mentônica

Número de Caracteres

- Mensagem: 976

- Resposta: 864

Olá Mario...

Muito interessante fosse resgatar essa hermética e curiosa mensagem, que embora esteja no EVO.BIO, tem seu conteúdo realmente mais apropriado para ser discutido aqui.

No entanto, prefiro nada comentar no momento, mas sim indicar alguns de meus textos que fazerm exatamente uma proposição da existência "transcendente" da mente porém materialmente baseada.

Leio o Conto de FC Conversando com o Diabo e verá, na segunda parte, uma espécie de proposição teórica que batizei de 'Mentônica', e que se enquadra na situação por você descrita.

Uma abordagem bem mais complexa dessa idéia pode ser vista na Monografia Segunda Parte do Projeto META-CONTINUIDADE MENTAL. Bem como está espalhada, e fundamenta, as minhas estórias de Ficção Científica do Universo DAMIATE.

Fico então no aguardo de que você examine ao menos um desses textos e me diga o que pensa.

Amigavelmente

6 de Fevereiro de 2012
   

          Fábio Duarte Ribeiro  -  1986

          Machado-MG    -    Estudante de Agronomia

          Agnóstico

706, 709, 711, 714, 718, 723, 725, 788, 790, 796, 798, 801, 808, 813
    f a b i o d r i b e i r o       y a h o o . c o m . b r

Olá Marcus, aqui estou novamente para mais uma conversa, é bom ter esse espaço aqui para tratar e expor ideias sobre grandes assuntos, como é o conteúdo do seu site.

Estive pensando sobre o que poderia ser a gravidade, algo que ja foi explicado seus efeitos e suas implicações mas ainda não bem esclaracida o que realmente a causa e qual ou quais são seus mecanismos. Albert Einstein em sua teoria da relatividade geral propôs que o efeito da gravidade é devido a uma curvatura no espaço-tempo em que os corpos convergem para o sentido dessa curvatura. É uma ótima proposta para explicar tal fenomeno mas a mim me parece uma explicação mais a nivel de espaço-tempo e não a nivel de uma força.

Pois bem, humildemente, devido a grandeza do assunto quando se fala de gravidade, queria deixar uma possivel explicação para o que ela poderia ser. Um corpo se mantem íntegro, coeso, devido as forças intermoleculares que unem seus átomos e suas moléculas devido as propriedades fisicas e quimica dessas. Se derrepente essas forças deixassem de existir em uma pedra por exemplo, essa se desestruraria facilmente como um torrão de areia.

Vamos voltar o exmplo para o nosso planeta, ele evidentemente esta submetido a essa força de coesão entre as suas moléculas, o que permite sua integridade. Penso que a gravidade então seria um tipo de "extensão" dessas forças de coesão intermoleculares que se propagam até um determinado raio em torno do planeta, é como o calor que podemos sentir quando estamos perto de uma fogueira, em que se afastarmos até uma determinada distância não sentiremos mais o efeito do seu calor e quanto maior essa fogueira obviamente maior o seu calor e maior o seu raio de alcance, então a força da gravidade atuaria de maneira semelhante de acordo com a lei ja estabelecida de que ela age diretamente proporcional a massa de dois corpos e inversamente proporcional ao quadrado da distancia entre eles.

Se a gravidade é consequência do efeito das forças de atração intermoleculares da materia então temos que admitir que todo corpo possuiu gravidade, mas sendo significativa dependendo da massa do corpo, sendo os planetas e estrelas os melhores exemplos.

Se formos fazer uma simulação da proposta apresentada pela teoria da relatividade geral para a gravavidade, então pegariamos uma malha fina esticada e colcariamos uma esfera ou um corpo qualquer em cima dela, evidentemente ela causaria uma curvatura na malha, e se soltasemos uma bola para correr livre na malha, ao se aproximar da curvatura ela seguiria a sua forma, mas isso porque a força da gravidade ja esta atuando. Agora com a curvatura da "malha" do espaço-tempo causado por um astro, sob qual força um corpo iria seguir essa curvatura? Posso estar sendo injênuo ao comparar uma superficie físicamente tão simples e evidente como é a superficie de um pano esticado com o espaço-tempo, tão mais sutil.

Já li no seu livro de ficção cientifica GRADIVIND uma parte em que a gravidade foi "desligada" completamente do planeta e tudo começou a se desagregar, poderiamos pensar se na verdade foram as forças intermoleculares da matéria que se desligaram e a perda da gravidade ao em vés de causa fosse o efeito.

Poderiamos simplificar tudo então dizendo que a gravidade seria o resultado do somatório e sinergismo das forças de atração intermoleculares da matéria.

De sua opnião e aponte os pontos fracos da minha especulação e apresente também caso tenha alguma explicação sobre o que seria essa tão misteriosa força.

Abraço e obrigado.

Segunda, 26 de Dezembro de 2012 ________________________________


Olá Marcus, essa mensagem é apenas um complemento sobre o tema gravidade da ultima mensagem que te enviei. Eu percebi que existe uma semelhança muito grande entre e lei da gravitação uiversal e a lei de Coulomb. A lei Coulomb diz que a atração entre cargas é diretamente proporcional ao número de cargas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa. Substitua cargas por corpos e, número de cargas por massa, que temos a lei da gravitação universal. Não parece que há uma íntima relação entre força de atração intermolecular e gravidade? Essas cargas estão contidas nos elétrons dos átomos que constituem toda a matéria existente no universo, da qual se manifesta a força da gravidade.

Quarta,11 de Janeiro de 2012

Tema: Física, Ficção Científica, Força Gravitacional

Número de Caracteres

- Mensagem: 2.922 + 590 = 3.512

- Resposta: 2.328

Olá Fábio...

Obrigado por trazer de volta tão interessante tema, mas temo ter pouco a dizer além do que já disse no Adendum de GRADIVIND (a última versão acrescentou bastante coisa sobe o tema).

Lá há links inclusive para uma hipótese da gravidade como efeito colateral da força eletromagnética.

Mas o mais me chamou atenção em sua mensagem é que usaste uma analogia incrivelmente fértil, sem ter noção de até onde ela poderia ir, ao falar apenas sobre o calor.

Ora, como dito, a influência do calor apresenta uma rápida variação de acordo com a distância. Alguns passos atrás podem nos fazer não mais senti-lo, e alguns passos a frente podem nos queimar. Ou seja, do calor máximo ao desprezível, a variação é de poucos metros.

Por outro lado, a luz do fogo funciona de modo bem diferente. Podemos andar centenas de metros e ainda percebê-la, mesmo que mais fraca. E mesmo uma fogueira pequena pode ser visível a kms de distância. Por outro lado, mesmo nos aproximando o máximo possível, a luz não chega a nos ofuscar. Ou ao menos nos queimaríamos muito antes de termos que fechar os olhos pela luminosidade em si.

Daí, sua analogia poderia ser enriquecida com a idéia de que uma mesma força, poderia manifestar a natureza eletromagnética, em relação à luz do fogo, e a gravitacional, em relação ao calor.

Mudando de assunto, é assentido que toda e qualquer partícula dotada de massa, apresenta força gravitacional. Por isso mesmo a "imponderabilidade", como ausência total de gravidade, é tecnicamente impossível, por que também o alcance da força gravitacional é supostamente infinito. A atração gravitacional entre você e o seu computador é apenas desprezível.

Já desenvolvi algumas teorias filosóficas sobre a Gravidade, com pretensão à ficção científica. Uma delas fundamenta o GRADIVIND, onde na sequência final, a Gravidade não foi desligada, e sim Invertida! E se seguisse a premissa de uma derivação da força eletromagnética, ou da chamada por você de "intramolecular", haveria o inconveniente de que tudo se desintegraria, inclusive as pequenas coisas. Mas como a inversão atingiu apenas a força gravitacional, apenas o planeta começou a se dissolver.

Sobre a relação entre eletromagnetismo e gravidade, não é novidade tentativas de sintetizá-las. Mas apesar das similaridades, lembre-se que não existem polaridades gravitacionais. Estou certo que se existissem, além de já termos maravilhosas tecnologias de levitação, as duas forças já estariam integradas numa única há muito tempo.

Bem. Sugiro dar uma lida nos links que há no Adendum, e também que pesquise "Levitação Quântica", para o qual a interessantíssimos vídeos no YouTube, procurando por "Quantum Levitation". Isso poderá lhe dar algumas inspirações para desenvolver mais suas idéias.

Amigavelmente

20 de Janeiro de 2012

   

          Marc Kellyson -  1996  - Rondonopolis - MT

          Estudante

802, 805, 806, 807, 822

      d j m a r c _ r o o       h o t m a i l . c o m

Olá, Marcus. Eu estou lendo o seu Livro Virtual do Planeta Fantasma (comecei semana passada). Estou no Planeta Fantasma 10. Eu estou com dúvida sobre Luriander e Damiate. Bom, ao decorrer da história o "Damiate" diz que é Clone enviado pelo Original. Ele diz que é, mas é verdade? E Luriander, como Luriander conheceu o Damiate?

Sexta, 16 de Dezembro de 2011

Tema: Ficção Científica, Universo DAMIATE
Planeta Fantasma, Clones X Cópias
Número de Caracteres

- Mensagem: 273

- Resposta: 1.739

Olá Marc...

Bom saber que está lendo o PLANETA FANTASMA, suponho que tenha terminado agora. Espero que tenha gostado.

Bem, para responder sua primeira pergunta teria que explicar um pouco o conceito de "Astro Clone", que é melhor explicado em ALICE 3947, mas se baseia na idéia de que além do corpo físico e da mente pura, existe um estado intermediário que é como um corpo sutil, um fantasma, normalmente chamado de corpo astral.

Quem fizesse um clone puramente físico de DAMIATE obteria apenas uma pessoa completamente normal, pois os poderes meta naturais não estão no corpo, sequer no cérebro, e sim na mente, mas ficando impregnados no Astral, junto com outras características. Mas o corpo astral, embora não seja exatamente físico, é constituído de agregador mentônicos que, embora bem mais sutis que a matéria, também possuem complexidade orgânica, e portanto precisam de micro estruturas que definem suas características. Ou seja, tem genes, e por isso também podem ser clonados.

Por isso é preciso juntar um Astro Clone com o Soma Clone, o clone físico, e nesse caso o DAMIATE que aparece em NOVITA-5 é sim um clone, tanto físico como astral, mas a Mente é a original.

Verdade seja dita, o termo "clone" não é bom, pois tende a dar más interpretações não só na FC, mas muito mais na realidade. Seria melhor entendê-los como cópias prontas, uma vez que não foram gestadas, isso é, não passaram pelos estágios de concepção e crescimento pelos quais passa um clone normal, que nada mais é que uma pessoa com um código genético idêntico ao de quem ela foi copiada, como um irmão gêmeo mais novo. Algo que foi surpreendentemente bem explicado na novela global 'O Clone'.

Como esses "clones" físicos de DAMIATE não foram produzidos de tal forma, mas sim construídos por máquinas já na forma adulta, estão mais para cópias diretas.

Fico por aqui. Em ALICE 3947 isso é explorado mais.

DAMIATE e Luriander se conheceram cerca de 400 anos antes dos eventos do PLANETA FANTASMA, no planeta SELERIA 4, o que envolve a situação descrita por uma das feiticeiras seilans no Capítulo 9.

Amigavelmente

15 de Janeiro de 2012

   

          Mario Campos de Jesus - 1963 - Seropédica-RJ

          Tecnico em Contabilidade

217, [217.1, 217.2, 217.3], 228, 362, 575, 579, 622, 690
739, 742, 748, 750, 751, 756, 759, 765, 770, 776, 815
mariocamposdejesus       u o l . c o m . b r      

Caro Marcus, a mensagem do Weiner Assis Gonçalves fez-me questionar-me se não seriamos hipócritas ao defendermos uns animais e matar outros para nos alimentar (ou por esporte), uma vez que todos são seres viventes e sentem dor? Ou não há nada de sentimental (ou empático) nas Leis que proíbem a matança de animais silvestres, mas apenas o lado funcional do equilíbrio ecológico?

Quarta, 16 de Novembro de 2011

Tema: Ética, Bioética, Animais

Número de Caracteres

- Mensagem: 317

- Resposta: 1.796

Oi Mario.

Depende muito de nossos motivos. Temos maiores afinidades com certos animais que com outros, e podemos justificar essa diferença de tratamento. Animais domésticos como cães e gatos, por exemplo, desenvolvem um laço afetivo conosco que os animais que costumamos criar para o abate não conseguem reproduzir. Além disso, são nitidamente mais inteligentes.

Via de regra, costuma-se intuir que quanto mais próximo de nós na árvore evolutiva, mais tendemos a respeitar os animais. Por isso temos mais apreço por mamíferos que por répteis, e quanto mais insetos. E mesmo dentro dos mamíferos, também fazemos hierarquias. Nesse sentido, o pior possível seria consumir primatas, embora isso ocorra em vários locais, inclusive no Brasil.

Acho que a hipocrisia a qual você se refere seja mais relativa às pessoas que defendem animais domésticos mas parecem fazê-lo não por serem domésticos, mas por serem animais, ao mesmo tempo que consomem carne ou utilizam produtos derivados de animais. Nesse caso há sim uma falta de consciência, e crítica, mas que pode ser explicada pelo princípio de que o que não nos vem à mente de forma mais intensa, como numa percepção direta ou numa reflexão profunda, não costuma nos sensibilizar. Ou, dizendo de forma mais próxima do ditado popular: "O que não se vê não se sente."

As leis de proteção aos animais seguramente derivam dos dois princípios. A necessidade prática de conservar o ecossistema, e também nossa sensibilidade sobre o assunto, embora eu sinceramente ache que a última costuma prevalecer.

Seria muito bom, do ponto e vista empático, esse desenvolvimento maior da sensibilidade humana em relação aos demais seres vivos, não fosse o fato de que frequentemente costuma vir acompanhada de um enfraquecimento empático em relação a outras pessoas.

Isso sim, costuma dar resultados hipócritas, ou ainda pior, insanos, visto que muitas vezes o indivíduo costuma desprezar a própria humanidade, projetando no animal uma espécie de pureza e bondade que só existe, de fato, na mente humana, que a única coisa capaz de realmente se apiedar e fazer algo pelos demais seres viventes.

Amigavelmente

30 de Dezembro de 2011
   

          Weiner Assis Gonçalves - 1938 - Goiânia-GO

          Aposentado

599, 637, 640, 752, 764, 794

          w e i n e r - 1 0     h o t m a i l . c o m

Caríssimo Marcus Valerio XR

Mui Digno Professor e Filósofo

Com o já relatei sou seu fã de carteirinha, e estou sempre acompanhando os diversos comentários e suas excelentes respostas.

Vários textos de religiosos que teimam em dizer sobre a existência de um criador e, notadamente, a perfeição de sua criação! Ora, um universo caótico como o nosso está há anos luz de ser perfeito, donde, faz pensarmos que não existe a mínima probabilidade, de quaisquer pessoas, que tenham o mínimo discernimento possível, criarem um mundo onde a vida só sobrevive à custa de outras vidas (a vida se alimentando da própria vida), é algo tão monstruoso e insensato que foge a tudo que pode ser considerado, pelo menos, normal. Ah, se as pessoas tomassem conhecimento da destruição, indiscriminada, de outras vidas.

Atenciosamente.

Sábado, 12 de Novembro de 2011

Tema: Teodicéia, Natureza, Predatismo, Ética, Transgenia, Futurologia, Ficção Científica
Número de Caracteres
- Mensagem: 682
- Resposta: 5.030
Caro Weiner...

Há vários motivos para minha demora em responder mensagens. Diversos interesses me dividem, as vezes falta-me tempo quanto tenho disposição, ou o inverso, mas às vezes, é também porque preciso pensar antes de responder.

É o caso desta sua mensagem. Não que eu não tenha sempre tido respostas para questões como essa, mas porque com frequência me proponho a reavaliá-las.

Contribuiu também o fato de você comentar uma mensagem que, embora postada aqui, visava o EVO, mas seu comentário ser em si de teor mais apropriado a este site, e ainda por cima o próprio Mario Campos ter lhe respondido aqui mesmo, mantendo o tema generalista do XR.PRO. Tudo isso me deixou um bocado indeciso sobre onde deveria publicar as respostas.

Mas vejamos.

Como expliquei na resposta à dita mensagem de Mario Campos, a questão tem mais a ver com o que se entende por "perfeição", e outros termos, e sua transição acidental de adjetivo para substantivo ou vice-versa. Neste caso, há o componente ético envolvido, o que se torna a questão duplamente interessante, também aumenta a confusão.

Tendo dito que não temos motivos para considerar 'perfeição' em nosso universo, no sentido substantivo, no que se refere a Ordem Natural, agora devo dizer que temos menos ainda para considerar no sentido ético. No entanto, penso que isso seja muito mais complexo do que suas breves colocações, com as quais concordo no sentido mais direto, afinal a vida natural merece os adjetivos de brutal e injusta sob qualquer ótica humanamente compreensível. A não ser que nos despamos de qualquer sensibilidade, não há como contemplar devidamente as relações entre os seres sem notar em grau explícito todas aquelas coisas que, transpostas para o mundo humano, nos causam rejeição.

Por outro lado, não penso que a constatação da crueza do mundo natural sirva para subsidiar toda forma de ateísmo. O faz contra o teísmo clássico e sua insustentável tentativa de fundir onipotência e bondade numa matriz única, ao mesmo tempo em que se depara com as evidências da corrupção material e ética do mundo. Mas a mera sobrevivência às custas de outras vidas não justifica uma negação prévia de uma intencionalidade subjacente na natureza, porque sempre podemos considerar uma certa incognoscibilidade dessa intencionalidade.

Soma-se a isso o progresso mental da humanidade, calcado em inevitáveis altos e baixos, com direito a autênticos retrocessos, mas ainda assim notável ao longo dos séculos. E assim podemos defender uma idéia ainda mais fascinante, de uma perspectiva progressista que envolva não somente a humanidade, mas até mesmo toda a natureza.

Sendo a Humanidade a única coisa a fazer Sentido (Em qualquer sentido do termo!) no Universo, podemos entendê-la também como um projeto em constante aperfeiçoamento. Já criamos em nossa mente a idéia de um paraíso onde sequer existem relações predatórias naturais, onde o leão brincaria com o antílope e as cobras não envenenariam e nem seriam perseguidas. Com essa perspectiva, tentemos imaginar uma projeção ousadíssima da humanidade do futuro.

Antes, claro, lembrando que é sim possível viver sem destruir outras formas de vida. Basta se alimentar de fora exclusivamente frutívora, como o fazem os frutarianos.

Pensemos então que humanidade progrida mais e no futuro adote o vegetarianismo global, e isso, associado ao fim de outras formas de exploração de animais, nos pouparia do ônus ético de prejudicar outros seres evidentemente sensíveis. Indo ainda mais longe, podemos deter a exploração da própria terra, pela agricultura, e abdicar do consumo de grãos e cereais em geral, passando a nos alimentar exclusivamente de frutas.

Evidente que as espécies naturais não parecem capazes de nos sustentar, ao menos com uma população de bilhões de habitantes, sem contar o fato de que nem todos os lugares podem cultivar árvores frutíferas, bem como frutas são altamente perecíveis e de difícil armazenagem.

Mas isso pode ser solucionável por uma engenharia biológica. Por meio de manipulação genética, poderíamos criar toda uma nova geração de árvores frutíferas muito mais resistentes às variações climáticas, mais longevas e produtivas, e capazes de fornecer uma ampla variedade de nutrientes. Poderíamos então harmonizar nossos hábitos de modo a vivermos exclusiva e simbioticamente com tais árvores, e com outros animais, também frutívoros.

Em sumo, nos seria possível criar um novo ecossistema onde eliminássemos o predatismo, e todos os seres vivos, nós inclusos, viveriam harmoniosamente.

Claro que nem todas as espécies animais seriam agraciadas de tal forma. Os predadores naturais, bem como os parasitas, seriam evidentemente extintos, dando lugar a uma gama de outros animais. Milhões de espécies de insetos, artrópodes, fungos, bactérias e vírus também seriam exterminados.

Mas isso não é um problema, por que não se pode pensar num direito intrínseco de qualquer dessas espécies à existência. Toda e qualquer forma de direito ou conceito ético parte do ser humano, e só faz sentido se também se dirigir, em última instância, à humanidade. Ademais, as espécies que existem hoje são apenas uma ínfima amostra das que já existiram ao longo da história natural e de todas as outras potenciais que poderiam existir. Não tem cabimento falar em direito intrínseco à existência das espécies, por que ainda assim isso excluiria as espécies potenciais.

Ademais, a grande maioria dessas espécies sequer são sensíveis, no sentido que nos é possível conceber com clareza. Isso é. Nada sugere que bactérias, fungos ou mesmo insetos sintam dor ou qualquer forma de sofrimento.

Finalizando, toda e qualquer possibilidade e esperança de solução dos problemas naturais só pode se dar pelo engenho humano. Claro que estamos muitíssimo longe disso, mas ao menos os primeiros e tímidos passos já foram dados. Se quiser ver uma desenvolvimento mais radical de conceitos similares, inclusive o das árvores frutíferas transgênicas, leia GRAVIDIND.

Amigavelmente

27 de Dezembro de 2011
   

          Marc Kellyson -  1996  - Rondonopolis - MT

          Estudante

802,805,806,807

      d j m a r c _ r o o       h o t m a i l . c o m

Como você consegue debater inteligentemente? Porque toda vez quando "venço" de algum debate específico, o perdedor começa a xingar tudo o que é palavrão? Estava debatendo em uma comunidade do Orkut sobre o desenho Naruto(que sei que é irrelevante para você), mas lá eles conseguem, pelo menos, debaterem inteligentemente, algo que eu nunca conseguirei, acho. Então pelo nível da sua inteligência, você tem uma "dica" de como debater inteligentemente? Me desculpe.

Sexta, 4 de Novembro de 2011 _____________________________________________

Olá, Marcus. Você dará continuação ao conto de Ry?

Sexta, 11 de Novembro de 2011

Tema: Diálogos, Argumentos, Naruto, Raio-Y

Número de Caracteres

- Mensagem: 393 + 42 = 435

- Resposta: 3.909

Olá Marc...

Desculpe demorar tanto a responder e espero poder contribuir nesse assunto.

Bem, de certo ajudaria bastante se eu pudesse ver os diálogos para saber de que modo você está debatendo. Não me ficou sequer claro sobre ser você ou seus interlocutores que perdem a objetividade. Mas posso dar algumas dicas genéricas.

Você evidentemente está se referindo a "debates", no sentido de diálogos onde um interlocutor tenta convencer o outro sobre alguma coisa. O ponto mais importante a se considerar é se se trata de um assunto onde de fato cabe o conceito de "vencer pelo argumento".

Existem duas formas básicas de superar racionalmente um dialogante numa contenda qualquer, isto é, sem apelar para retórica emocional, e muito menos pela agressão. Essas vias racionais se dão pela MATÉRIA ou pela FORMA. Matéria é o assunto sobre o qual se discute, que normalmente se baseia em fatos e dados externos, e nesse ponto, ter as informações corretas é absolutamente crucial. Se alguém está dizendo que é o Rock Lee que tem aquele poder de se multiplicar, a melhor coisa que você pode fazer é mostrar, apontando os episódios, que essa é uma habilidade do Naruto.

A Forma é o modo como se argumenta, onde um erro pode fazer com que alguém, mesmo tendo os dados corretos, chegue a conclusões erradas.

Claro que com frequência os debates misturam as duas coisas, até por que certas informações nem sempre são confiáveis ou fáceis de encontrar, mas meu conselho é você sempre dar alguma prioridade na Forma, porque na Matéria você sempre pode ser vítima de informações errôneas, e o que não falta nesse mundo são consensos esmagadoramente difundidos, muitas vezes repetidos até em publicações bem intencionadas, mas que são completamente falsos.

Normalmente não está em seu poder controlar as fontes de onde se obtêm informação, mas está em seu pleno poder controlar o método de argumentação, o que não só irá garantir uma boa coerência em seu discurso, como ainda irá ajudá-lo a detectar a falsidade.

Você poderá encontrar com facilidade NA web diversos manuais de falácias e argumentação, mas em geral quase todos tem ao menos 3 problemas. Abusam de estrangeirismos, inclusive em exemplos que a nós são quase incompreensíveis, são repletos de terminologias pomposas e completamente descartáveis, e o pior, não distinguem devidamente falácias formais de não formais. Por isso, eu mesmo preparei um material básico sobre erros nas Formas do raciocínio, que está disponível numa apostila em Silogismos e Falácias Formais.

Também sempre recomendarei o excelente texto A Arte Refinada de Detectar Mentiras, extraído do livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan. Um livro que merecia se tornar obrigatório. Devidamente lido, deixa qualquer pessoa mais inteligente.

Verdade seja dita, não é necessário estudar lógica para se argumentar bem, pois seus princípios são intuitivos e podem ser espontaneamente incorporados por qualquer pessoa inteligente, mas não tenha dúvida que um conhecimento teórico prévio dá vantagens, pois você passa a detectar erros mais rapidamente. Desde que, É ISSO É MUITO IMPORTANTE, não transforme um guia de falácias num tipo de bíblia de bolso. NÃO VALE A PENA DECORÁ-LAS! Pois isso só irá torná-lo dependente de conceitos enrijecidos quando na verdade argumentação exige uma vivência dinâmica e fluída. O contexto muitas vezes pode até mesmo reverter certos parâmetros aparentemente consagrados.

Mas talvez ainda mais importante do que todas as técnicas de argumentação seja você estar atento aos motivadores emocionais que te levam a um diálogo.

Alguém está dizendo algo que o incomoda e você decide intervir. Mas por que isso te incomoda? Você detectou um erro factual? Um problema objetivo? Ou apenas algo que você não gosta mas não sabe por quê?

Se você ficar na dúvida, antes resolva o assunto em si mesmo, e só depois parta para abordagem direta. Uma boa argumentação deve sempre ser pautada no gosto pela verdade, e jamais apenas numa auto promoção e muito menos com o objetivo de humilhar o dialogante.

Enfim, espero que entenda que para debater 'inteligentemente', como você diz, não se trata de ter uma mera 'dica'. É uma disciplina que exige dedicação e sobretudo amor pela razão, mas que devidamente utilizada, dá retorno garantido, e muita satisfação.

______________________________________

Raio-Y não é um conto, é um Livro Virtual, e quanto a 'continuação', depende. Não haverá um Raio-Y 2, ou ao menos jamais tive intenção de escrever um, mas não só tenho planos para outras histórias que envolvem aqueles mesmos RYs, como um deles de fato já está no PLANETA FANTASMA. Bem como há o conto RY-5.

E não se preocupe. Pode demorar, mas não vai parar por aí.

Amigavelmente

25 de Novembro de 2011

   

         Luiz Henrique Carvalho de Oliveira   Nova Iguaçu-RJ 1986

   Agente Administrativo   -   Ateu



Luiz.CarvalhoOliveira       g m a i l . c o m          

Boa Tarde Marcus, gostaria que você elucidasse um ponto para mim sobre seu modo de pensar, eu adoro seu site a já li todos os ensaios várias vezes, ainda vou ler os livros mas atualmente estou examinando as monografias. Minha dúvida é a seguinte: tenho percebido uma característica que me parecem contraditória em seus textos, sendo a mesma sua crença em um "Deus". No seu texto Em Defesa do Agnosticismo você se caracteriza entre outras coisas pragmaticamente ateu, ao meu ver isso é um ateu de verdade considerando que você realmente NÃO acredita em uma divindade. Não quero que me entenda errôneamente, a sua definição é perfeita e também acredito nela, tirando o sentimentalmente teísta eu sou exatamente o mesmo, na verdade, sempre me vi como agnóstico por não ter nenhuma religião assumida mas quando conheci o ateísmo, especialmente Richard Dawkins devo dizer que me "converti".

A questão é que através de seus textos se nota claramente essa direção teísta de pensar principalmente quando em seus textos há uma crítica à Dawkins, que infelizmente devo dizer que concordo invariavelmente com ele, na verdade nem consigo acreditar que os textos são seus tremenda a admiração que tenho pela maioria deles, sendo esses a exceção. Mas em alguns textos e aí aparece a contradição, sobre conhecimento e inteligência você me parece demonstrar um pensamento oposto, ao menos para meus olhos. Sendo mais específico, em ensaios como o dos Gênios você claramente defende o conhecimento e escarnece de uma "força maior limitante". Compreendo que posso estar vendo as coisas da forma errada, pois nestes ensaios a sua crítica é realmente direcionada a as ideologias vigentes de poder, eu compreendo, só que tive essa impressão nesses e outros ensaios ou contos - Caro Ser Humano..., O Mundo da Ilusão - gostaria se possível que você me elucidasse quanto a sua real opinião, você realmente acredita que não existem barreiras limitantes quanto ao nosso conhecimento impostas por "Deus"("es") ou você acredita num limite vetorialmente "teísta"?

Obrigado pela sua atenção e espero que não considere arrogância, mas aconselheria você ler esses textos e pensar um pouco de forma empática como Sylar e tentar ver o que eu percebi nos textos, eu realmente não consigo entender seu ponto de vista em relação à Dawkins pois sei que ele realmente exagera, na minha opinião intencionalmente, mas não deixa de estar certo, analisando a religião de uma forma analítica e imparcial não é possível argumentar a favor.

Atenciosamente,

Luiz Henrique Carvalho de Oliveira

Si Vis Pacem Para Bellum

Terça, 18 de Outubro de 2011

Tema: Filosofia, Existência de Deus, Agnosticismo, Ateísmo

Número de Caracteres
- Mensagem: 2.154
- Resposta: 6.748

Prezado Luiz...

Muito obrigado por sua participação e fico lisonjeado coma mensagem que deixaste no Livro de Visitas do EVOLUÇÃO BIOLÓGICA. Será um prazer esclarecer o que for possível.

Só não tenho muita certeza se entendi bem sua questão. Qual seriam exatamente os textos a que você se refere ali pela linha 20?

Quanto aos textos citados, convém lembrar dois pontos. Em Defesa do Agnosticismo e a séria iniciada com O Gênio do "Mal" são, respectivamente, de 2008 e 2009. O Mundo da Ilusão e Caro Ser Humano... são de 1999 e 2001. Portanto, há uma boa distância entre eles, e ao longo desse tempo meu pensamento evoluiu. Mas o mais importante é que os primeiros são Ensaios críticos, e os segundos são Contos de Ficção. E se é claro que os conteúdos frequentemente se mesclam, há uma distinção que não pode ser negada. Eu utilizo em obras ficcionais conceitos que jamais defenderia intelectualmente.

Talvez, essa tensão a que você se refere transpareça mais nas monografias DEUS ME LIVRE e KOSMOS & TÉLOS.

Bem, diante das minhas dúvidas sobre as suas dúvidas, penso que o ideal seja mesmo em tentar explicar algo sobre essa minha "Sentimentalidade Teísta", esperando que Em Defesa do Agnosticismo tenha deixado claro o por quê da intelectualidade agnóstica. De fato, parece ser algo que jamais deixei claro, até por que, sinceramente, ainda não é claro para mim, principalmente agora, quando estou passando por uma nova efervescência intelectual introspectiva, que só ainda não explodiu em inúmeros textos por estar em franca lapidação.

Em KOSMOS & TÉLOS dei os primeiros passos acadêmicos, no início e no final do texto, para aquilo que considero meu projeto intelectual mais ambicioso, A Filosofia do CAOS, onde o Ceticismo pode ser encaixado não apenas como um mero problema do conhecimento, mas um problema ontológico do próprio universo, que pode ser essencialmente incompreensível, nos deixando ver Ordem apenas numa pequena fração dele, (páginas 44 e 45).

Se estamos em dúvida sobre haver ou não INTENCIONALIDADE na natureza, isto é, fora de nós mesmos, parecemos não ter dúvidas de que há ORDEM, mas curiosamente tendemos a aplicar tal ordem à todo o Universo, quando, na realidade, nada impede que a ordem seja um acidente minoritário num universo fundamentalmente caótico e incompreensível. Basta evocar a própria cosmologia contemporânea e sua brevidade do cosmo perante períodos indefinidos de Caos quântico prévio ou posterior ao fim do universo. Isso, somado ao fato de ser absolutamente impossível conceber uma cosmogênese, não importa se mitológica, filosófica ou científica, sem apelar ao conceito de Caos Primordial, podemos inferir que não somente a Intencionalidade é um fruto da Ordem prévia do Universo, mas esta Ordem é um Fruto do Caos.

Não obstante, nossas mentes dependem total e completamente do parâmetro ordenado e ordenador intencional. É completamente impossível funcionarmos sem impor ordem, E SENTIDO, a tudo o que vemos. Podemos até conceder a falta de um sentido prévio, mas não resistimos a aplicar um sentido posterior. Com uma fixação tão indelével por ordem e intencionalidade, não é de se admirar que tenhamos evoluído acreditando em deuses em toda parte, e só conseguimos removê-los após uma bem elaborada visão cósmica repleta de regularidades que chamamos de "leis".

Em síntese, nós simplesmente não suportamos o Caos. Não conseguimos olhar direto para ele, ou para "Ela" (depois explico o porquê), em toda sua plenitude, pois enlouqueceríamos. Nós temos que impor ordem, temos que dar sentido, temos que ver significado.

A idéia de Divindade, dessa forma, pode ser extirpada da natureza, mas não pode ser extirpada da mente. O mais radical ateísta forte acredita em sentidos, princípios, regularidades etc, que são essencialmente injustificáveis exceto, como já dizia Hume, por indução. Assim, a mera idéia de uma "inteligência" subjacente, pelo próprio princípio de inteligibilidade das coisas, é um "fantasma" indelével de nossa cognição que pode com imensa facilidade assumir a forma de um deus. Motivo pela qual não acho possível extirpar por completo o teísmo da humanidade em contexto algum.

Como se isso já não bastasse, ainda somos muito mais passionais que racionais, e não há gancho mais perfeito para um crença religiosa do que o apoio emocional. É uma simples questão de atingir o ponto certo. Os ateus, quer sejam no sentido pragmático, intelectual ou mesmo sentimental, apenas possuem um integridade emocional e cognitiva capaz de evitar as armadilhas mentais que levam à maioria das pessoas às superstições e crenças, mas os princípios fundadores permanecem lá, atuando de modo diferenciado, conferindo sentido inteligível aos objetos e sentido existencial ao ego.

Ora, a Regularidade dos fenômenos é uma premissa sem a qual ser humano algum viveria. A capacidade de perceber Relações de Causa e Efeito é, para mim, a própria definição de inteligência. Estou sustentando que a diferença entre o teísmo e o ateísmo está nada menos no modo como essa capacidade é direcionada, mas essa capacidade em si, é epistemologicamente injustificável. Ressoando Hume, não temos nenhum argumento para sustentar a crença de que o Sol surgirá no Leste exceto o fato de isto ser um fenômeno regular, e então criamos sofisticadas teorias para explicar isso, e por fim tentar dar uma aparência de dedução a uma indução. Ou seja, queremos que nossa crença se baseie numa teoria que descreve a realidade como ela é, capaz de prever os fenômenos e reduzir o universo a um punhado de princípios nomológicos inteligíveis, racionais, ordenados.

Mesmo assim, sabemos que nunca poderemos esgotar o mistério do universo, que no fundo é o mistério da mente. Só aquietamos essa curiosidade de forma arbitrária, promulgando sentidos ao que ainda não compreendemos. E então, mesmo ao mais insensível dos reducionistas, ocorre um inegável fascínio pelo mistério. Uma atração irresistível para observar o inobservável, compreender o incompreensível, e diante de tal impossibilidade, optamos pela simples contemplação.

É nesse sentido que entendo o "teísmo" mais profundo, a "religiosidade" mais fundamental e primordial, à qual, penso, todo o ser humano está incondicionalmente atrelado. Ao fazermos isso, nada mais fazemos do que divinizar o Caos. A Caos, que é Causa Primeira e Matriz do Universo. Penso ser essa a "espiritualidade" essencial humana, a inspiração divina que move toda e qualquer forma de inteligência. O que chamamos de religião propriamente dita é apenas uma construção muitíssimo mais complexa que, se assentando nessa Intuição Mística fundamental, agrega miríades de elementos, a maioria completamente dispensáveis, que terminam por corromper essa noção primordial. Quando se chega ao ponto de dizer o que a divindade é, ao invés de reconhecer sua indefinibilidade, o que quer, ao invés de assumir sua incognoscibilidade, e até do que gosta ou desgosta, ao invés de aceitar sua completa amplitude, aí a corrupção se tornou total, e nada mais de positivo pode-se esperar, a não ser quando, por sorte, consegue-se coincidir essas supostas vontades divinas com as mesmas vontades humanas mais sublimes e harmônicas.

Mas isso raramente acontece.

Assim, penso que resta na humanidade uma tendência mística insuperável, e que nossa era apenas criou uma cisão reativa entre o pensamento científico e a inspiração mística, a fim de se livrar de maléfico excesso que milênios de corrupção espiritual e politização religiosa legaram.

Num outro contexto, num outro tempo, cientista algum teria problema em assumir sua reverência a um princípio caótico fundamental, ou mesmo admitir uma divindade, porque não temeria ter suas palavras distorcidas e abusadas por tolos que se escondem em complexos psíquicos para lidar com suas fraquezas, ou impostores que só querem usufruir dos bens que a pseudo religiosidade lhes permite arrebanhar.

Bem. Esperando que não tenha ficado por demais caótico, encerro por aqui. Mas não hesite em escrever novamente se sentir vontade.

Amigavelmente

21 de Outubro de 2011
Mensagensa