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MINHA TRÉPLICA

CRIACIONISMO: FATOS E FÉ - CONTINUAÇÃO
Rafael A. B. Pavani

            Prezado Marcus,

 

            Agradeço profundamente sua atenção para meus comentários, e ainda mais pela réplica.  Perdão pela demora em respondê-la, estive ocupado esses dias.  Também não esperava que essa minha resposta ficasse tão longa.  Você também deve ser muito ocupado, respondendo com atenção a todos que lhe escrevem, e talvez este fato tenha prejudicado uma leitura mais cuidadosa de meu texto.

            Primeiramente, o título tem um pequeno erro.  Não é “fatos de fé”, mas sim “Criacionismo: fatos e fé”.  Talvez isso esclareça uma impressão errada sobre o conteúdo do texto.  Nada de mais, no entanto.

 

            Você disse que o criacionismo não é científico já que não podemos provar Deus.  Sob o seu ponto de vista, a evolução também não é científica, pois ninguém conseguiu teorizar o que teria ocorrido nos primeiros instantes do Big Bang, nem como um amontoado de aminoácidos formou uma molécula replicável (DNA, RNA).  Se esse princípio não é decifrável, então todo o resto deve ser descartado, segundo seu próprio raciocínio.

            O objetivo do criacionismo não é provar Deus ou demonstrar como Ele criou tudo, mas sim descobrir evidências sobre tudo o que ocorreu logo depois, baseado nas Escrituras.  Para esse fim, usamos a ciência.  A sua segunda "dificuldade" não traz problema algum, uma vez que não pretendemos provar Deus, já que isso é impossível, pois Ele está fora da nossa esfera de alcance, ou seja, além do espaço-tempo.

           

Vou ignorar seu último comentário, não me interessa discutir questões léxicas.  Em todo caso, eu queria dizer que o criacionismo também não tem todas as respostas.  E nem evolução nem criação as terão.  Afinal, todas as coisas serão conhecidas no fim dos tempos, como Jesus nos prometeu.

           

Agora vamos ao que menos interessa.

 

I)   Cor da pele, genética, etnias humanas, e distribuição das raças.

 

Aqui, acredito que você não tenha lido com atenção.  Tentarei explicitar melhor os conceitos, mas não consegui mudar minha maneira rápida e direta de escrever.

            O período pré-diluviano não durou apenas 600 anos, tampouco dois mil como eu disse, mas sim 1.656 anos, segundo a cronologia em Gênesis 5.

            A diversificação humana é muito interessante, pois um casal moreno pode ter filhos mais claros ou mais escuros, mas se você prestar atenção no exemplo genético que ofereci, casais de brancos ou negros não devem ter descendentes muito diferentes.  Voltando aos genes, consideremos um casal moreno claro com genes MmNnoo em ambos.  Os gametas podem ser Mno, Mmo, mNo e mno.  Cruzando-os, as probabilidades são: moreno escuro (1 em 16), moreno médio ( 4 em 16), moreno claro (6 em 16), quase branco (4 em 16) e branco (1 em 16).  Esse cruzamento é muito simples e não respeita todos os fatores genéticos, mas mostra uma tendência de gerar seres parecidos e ao mesmo tempo a possibilidade de gerar alguns diferentes.  Quando consideramos um casal de brancos não muito claros (pele “bronzeada” naturalmente) Mmnnoo, as probabilidades tornam-se: moreno claro (1 em 4), pele igual aos pais (2 em 4) e branco “puro” (1 em 4).  As diferenças são mínimas para serem consideradas disparates numa população.  E quando observamos um casal de negros “puros” MMNNOO, a probabilidade de um filho com cor da pele diferente cai para zero.

Um exemplo prático é a da minha própria família.  Eu e meu irmão, filhos de mesmo pai e mesma mãe, somos tão diferentes que muitos não acreditam que somos irmãos.  Um tem a pele clara e olhos azuis e o outro pele bronzeada, quase parda, de olhos castanho-escuros. Meu pai e minha mãe têm constituição parecida entre si, “intermediária” entre eu e meu irmão.  Conheço outras famílias com casos semelhantes, inclusive de casais morenos que tiveram filhos claros.  Esses fatos podem até trazer problemas sobre paternidade, mas são explicáveis pela genética.  No Brasil isso é tão comum que todos nós devemos conhecer esse tipo de situação.  E sem precisar de milhares ou milhões de anos.

 

            Infelizmente não achei onde estava a informação sobre as 3 etnias básicas.  Posso estar errado. Contudo, sabemos que os seres humanos têm uma semelhança muito acentuada entre si, inclusive não sendo biologicamente divididos em raças.  Rusticamente observamos três “tipos” diferentes: caucasianos, negróides e o grupo de orientais e ameríndios, com aspectos mais parecidos em cada grupo.  Ainda assim, a diversidade é grande dentro desses grupos, mas a diferença genética entre eles é mínima.  Portanto, é possível que os genes para todas as características estivessem presentes há cerca de 6000 anos sem diferença aparente entre as pessoas.  A diferenciação ocorreria sem problemas, como mostrarei mais à frente.

            Se você prestar atenção, Marcus, vai perceber que 1656 anos não é pouco.  Olhe pela sua janela e imagine como era tudo ao redor 500 anos atrás.  Menos ainda, imagine 200 anos atrás.  Há 500 anos, o Brasil tinha no máximo 5 milhões de habitantes, e hoje tem mais de 180 milhões. O ser humano se reproduz rápido e espalha-se rapidamente, não precisaria de dezenas de milhares de anos para se distribuir e ser selecionado pelo ambiente.

            Uma outra observação interessante é concernente ao descobrimento das Américas e ao choque de culturas.  Lembre-se que 500 anos atrás não existiam mulatos nem nordestinos. Não lembro de qualquer povo com aspecto semelhante a eles em qualquer parte do mundo.  Depois da miscigenação de diferentes povos surgiram esses biótipos que hoje já têm características próprias, diferentes daqueles que os originaram.  A contribuição do ambiente também é muito importante, devido às diferenças na alimentação, moradia e outras condições de vida.

            Como pudemos ver até agora, a variação de etnias é perceptível em menor escala.

           

Devido a esses fatos, a ocorrência de alguma diferenciação humana no período pré-diluviano é muito plausível, e a entrada de 3 noras de Noé na arca fortalece essa associação, apesar de não torná-la obrigatória. O que importa é a percepção de que o tempo não é um entrave para a teoria.

Antes de continuar, gostaria de salientar que o período pré-diluviano não é inacessível para nós, mas difícil de pesquisar, pois o Dilúvio foi um incidente catastrófico e deve ter alterado várias condições mundiais.  A atmosfera, a configuração dos continentes, os oceanos, e mesmo a inclinação do planeta podem ter mudado.  As evidências que existem remontam ao Dilúvio, como os fósseis e as geleiras.  Mas isso é outro assunto.

 

            Sobre as perguntas: isso tudo faz sentido de alguma forma? É possível nos aspectos biológicos e sociais? Após refletirmos um pouco, descobrimos que tudo faz sentido e é possível.

 

            Como já foi demonstrado, um casal ariano não deveria ter um filho moreno, assim como um casal de olhos azuis não teria um filho de olhos castanhos.  Reveja a genética.

            No caso de populações em migração, fator importante para a formação das etnias, a diferenciação deve ter sido lenta, e as modificações pouco perceptíveis individualmente.  Se considerarmos que em 300 anos uma população migratória foi ficando com características específicas, poucos dariam atenção a esse fato.  Além disso, quando os grupos começaram a registrar os fatos da população provavelmente a maioria das características já estivesse presente.  As histórias passadas oralmente dificilmente continham descrições raciais, mais importando as histórias e características como "muito forte", "a mais bela", como vemos nos poemas antigos. 

Nós temos, contudo, registros contemporâneos, como já foi citado.  Os nordestinos e mulatos (e centenas de outras populações geradas pela miscigenação) surgiram há no máximo 500 anos.  No entanto, não há registros específicos de mulatos ou nordestinos que nasceram diferentes de seus pais, senão histórias da miscigenação das outras raças que os originaram.  Essa mistura nas Américas e em outros locais demonstra a existência da capacidade de diferenciação humana, e quando a população é estável ela ocorre mais imperceptivelmente por causa da semelhança genética.  Se a comunidade é homogênea, não há motivo para nascer alguém tão diferente do restante, exceto no caso de problemas genéticos como o albinismo.  Portanto a existência ou não de registros históricos não é conclusiva, mesmo porque nós dois não conhecemos sequer um ínfimo dos registros existentes.

           

            Quanto às perguntas que deixei em aberto, se você prestar muita atenção, eu não fui inconclusivo, mas as deixei para serem respondidas por quem lesse o texto com atenção.  Já que isso muitas vezes não ocorre, vou respondê-las.

 

            RESPOSTAS:

            Usaremos como exemplo de diferenciação a dispersão de brancos e negros.  Para isso, vamos usar a cor da pele, a luminosidade solar e a embriologia.  Talvez eu esqueça de explicar alguns conceitos, que devem estar no meu primeiro texto.

            Em princípio, é necessário garantir a total desconsideração a respeito do escurecimento progressivo (de geração para geração) da pele pelo sol.  Isso nunca foi observado.

            Consideraremos um grupo original de pessoas morenas, vivendo nas proximidades do Oriente Médio.  Por qualquer motivo, o grupo se divide e parte migra para a Europa e parte para a África.  Para facilitar o raciocínio, vamos colocar os genótipos possíveis para a cor da pele.  O grupo original teria os genes MmNnOo, conforme já foi usado em outras situações, e ambos os grupos migrantes teriam os mesmos genes.  Portanto os descendentes tenderiam a uma coloração mediana, mas podem ser mais claros ou mais escuros.

            O grupo que foi para a Europa encontra um clima mais temperado com menor incidência de sol.  Como já sabemos, a luz solar é necessária na absorção de Cálcio pelo feto, através da formação de vitamina D na pele da mãe, e sua falta impede o nascimento de uma criança viável.  Portanto aquelas mulheres com mais genes “maiúsculos” (cor de pele mais escura) teriam mais dificuldade para ter filhos pela menor absorção de luz, e as com mais genes “minúsculos” (cor de pele mais clara) teriam mais filhos, passando essa característica para seus filhos.  Assim, temos um “clareamento” da pele na população, mas não individual, com prevalência de genótipos como Mmnnoo, mmNnOo, etc, que já existiam na população original.  Nenhuma evolução, nenhuma mutação.

            O grupo que foi para a África encontra um local muito ensolarado, com pouca nebulosidade.  A radiação ultravioleta em excesso destrói o ácido fólico na pele, substância necessária para o fechamento do tubo neural no embrião.  As mulheres de pele clara teriam dificuldades para ter filhos, enquanto as de pele mais escura não teriam esse problema, passando essa característica com genótipos como MMnnOO, MmNnOO, mMNNOO, etc, que também já existiam na população original.  Ou seja, nada de evolução, mutação ou escurecimento pelo sol.

            Como esses grupos estão em migração, suas condições para cuidar de filhos ou proteger-se do sol são precárias.  Assim, quanto mais duravam as jornadas, mais as características favoráveis à sobrevivência eram selecionadas.  Em um ambiente sem sol a maior parte do ano, apenas aqueles com genótipo mmnnoo (brancos) poderiam gerar filhos com regularidade, deixando esse aspecto na população.  O mesmo ocorreria com aqueles de genótipo MMNNOO (negros) em ambientes de muito sol.

            Agora sabemos porque não há originalmente negros em locais de pouco sol e brancos em locais de muito sol, e também que é possível a migração de populações sem necessidade de modificação no código genético.  Os brancos e negros deslocados de seus ambientes originais não devem sofrer qualquer modificação na cor da pele por interferência da luz solar, pois isso não existe.  Contudo, podem ter problemas para se reproduzir, como de fato têm, e precisam de cuidados especiais, como já expliquei no outro texto.

            Evolução?  Não precisou.

           

            Há um artigo na revista Superinteressante de Abril de 2003, Edição 187, falando sobre racismo e explicando algo do que eu disse.  Está interessante e acessível.  Basta desconsiderar as partes sobre a evolução para observar os fatos ditos.

 

Concluindo essa parte, a diversidade humana e suas características próprias para cada ambiente foram planejadas por Deus. Gen.1:28 “E Deus os abençoou (homem e mulher) e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a;”

           

Aí estão suas respostas, e a meu ver, a sua "Questão" foi satisfatoriamente respondida.

           

II) Diferenciação dos animais e evolução.

 

Como já foi demonstrado para os humanos, o mesmo deve ocorrer com os animais.  A dificuldade não é nem um pouco maior, pois como já foi explicado, a diferenciação depende da passagem de genes e portanto está diretamente ligada à duração das gerações.  Para a maior parte dos animais uma geração é muito mais curta que nos homens, e se prestarmos atenção, os maiores animais geralmente têm muito menor diversidade que os menores.

            Além disso, acrescento que as variações humanas não são apenas nos tons da pele e nos traços fisionômicos, mas também há diferenças em tendões, intestinos, dentes, quadril, entre outras.  São diferenças sutis, mas algumas influem em situações médicas.  Ou seja, mesmo com uma ampla gama de variações, todos os seres humanos pertencem à mesma espécie.  Com certos animais esse fato é ainda mais claro, como para os cachorros e gatos.  Essa reflexão pode ajudar a entender a diferenciação nas palavras que se seguem neste e em tópicos seguintes.

           

Gostaria de salientar que o termo "micro-evolução" não me agrada, pois como já disse, na diferenciação não há qualquer "evolução".  Para mim esse termo é errado e piora a controvérsia entre criacionismo e evolucionismo.  Evolução pressupõe modificação do material genético, algo que muito raramente não termina em problemas, mas a diferenciação estaria ligada à recombinação genética, prevalência e dominância de genes e interação gênica.  Ela poderia ocorrer com ou sem influência do ambiente.

Aliás, estou utilizando o termo “diferenciação” como improviso, pois pareceu o mais adequado.  Não sei se é o termo correto para definir os processos de modificação dos seres vivos no tempo pela prevalência de alguns genes e não de outros, gerando as características de certa população.  Acho esse termo mais explicativo que “micro-evolução”.

           

As variações animais com certeza ocorreram e ainda ocorrem na presença do ser humano.  No entanto, nossa vida é muito curta, e uma nova raça que se diferencie em 200 anos não será observada por nenhum de nós.  No caso de mudança drástica, como no cruzamento entre raças diferentes, esta poderia estar documentada em algum registro histórico, ou ser observada por nós.  Provavelmente ninguém iria se importar, a não ser que a descoberta renda lucros.

Vou usar exemplos para deixar a possibilidade mais clara.  Eles foram tirados da revista Superinteressante edições de Agosto de 2001 (capa com Dalai Lama) e Março de 2003 (capa Paranormalidade).  Na primeira o artigo é “O que há de errado com Darwin” e na segunda é a seção “Supernovas”, título “Vira-Latas”.  Apesar de usá-la como referência, não gosto da Super.  Recomendo a Scientific American.

Primeiro vamos falar dos cães.  Conhecemos a enormidade de raças caninas existentes, tão diferentes quanto (ou até mais que) os seres humanos.  O surgimento das novas raças é relativamente bem documentado, principalmente na Europa, tanto por diferenciação natural como por cruzamento estimulado.  No século 12, o Chihuahua.  No século 13, Rottweiler.  No século 17, São Bernardo, Basset, Dálmata.  No século 18, Pinscher, Pointer, Labrador.  No século 19, Pastor Alemão, Buldogue, Fila, Poodle.  No século 20, Husky Siberiano, Bull Boxer e o famigerado Pit Bull.  Essa é uma amostra ínfima do total.  Assim, vemos que a diferenciação em raças não precisa de milhares de anos, em menos de 1000 anos nós já conseguimos uma variação muito interessante. 

Toda a diversidade dos outros animais pode ter seguido o mesmo caminho.  O fato de não haver registro da maioria não indica que não houve diferenciação, mas sim o desinteresse por eles.  O cachorro é muito querido pelo ser humano, por isso sua preocupação em registrar as novas raças.

 

No artigo “O que há de errado com Darwin” tem este trecho, integral e sem alterações. Entre parênteses eu complemento o que faltar:

“Um estudo divulgado em janeiro (de 2001) constatou esse modelo de evolução (através da seleção natural, pelo cruzamento de genes e acúmulo de mutações aleatórias durante milhares de anos) em populações do pássaro asiático felosa troquilóide. À medida que essa espécie se espalha ao redor do planalto tibetano, alguns de seus traços mudam, como a música que os machos cantam para atrair as fêmeas. Na Sibéria, no norte do continente, duas variações dessa espécie desenvolveram cantos tão distintos que as fêmeas de uma não reconhecem os machos da outra. A descoberta significa que esses dois grupos, apesar de serem muito semelhantes, não podem se reproduzir entre si, o que indica que se separaram em duas espécies”.

Um outro trecho interessante é:

“Um estudo divulgado em outubro do ano passado (ano 2000) apresentou evidências de que uma espécie de salmão chegou quase ao isolamento reprodutivo em cerca de 60 anos. Durante a década de 1930, esse peixe foi introduzido em um hábitat no noroeste dos Estados Unidos composto de um rio e uma praia fluvial. Alguns animais se especializaram em viver na correnteza e desenvolveram características distintas daqueles que habitavam as águas calmas da praia.  Hoje em dia, os peixes de uma população dificilmente se reproduzem com os da outra e, caso isso ocorra, os descendentes têm poucas chances de sobreviver.”

 

Esses dois exemplos eu vi apenas na revista, e não procurei outras evidências.  Também não há referências no artigo.  Mas eles são ótimos para demonstrar a diferenciação atual e rápida (para a evolução) de espécies.  Apenas para esclarecer, o artigo não é criacionista e seu assunto é o “equilíbrio pontuado” na evolução.  Assim, eles explicam esses casos como fazendo parte dos “saltos evolutivos” ou apenas modificação em novas linhagens.  Se prestarmos atenção no exemplo humano do primeiro tópico, veremos que tudo pode ser explicado pela prevalência de alguns genes sobre outros, devido provavelmente a uma seleção ambiental.  Serão mutações aleatórias se manifestando em menos de 100 anos?  Novas características surgindo ao acaso?  Adaptações ambientais influenciando nos genes?  São fatos para se refletir.

 

Antes de terminar esse assunto, gostaria de dar um último exemplo.  Você, Marcus, exemplificou a evolução através dos fictícios “Grifons”.  Tomo a liberdade de usá-los para meu propósito, pois a situação tem todas as características interessantes para explicar a diferenciação dos animais.  Receio citar erroneamente algumas delas, mas para isso desejo que os leitores tenham acesso ao seu texto original.

Os Grifons são animais com um “tipo médio” e dois extremos (posso chamá-los de raças?), todos vivendo juntos em três ambientes distintos: deserto, savana e floresta.  Em cada ambiente uma raça tem vantagem sobre as outras, sobrevivendo melhor e passando mais seus genes, “purificando-se” e permitindo o aparecimento de características mais específicas, conforme as leis genéticas do tópico I.

Logo cada ambiente tem uma raça principal, especialmente após a divisão da ilha (era uma ilha?) por um cataclismo. Os três ambientes são separados e em cada um apenas a raça mais adaptada resiste, extinguindo-se as outras.  Se não me engano, a partir daqui você insinuou a especiação através do acúmulo de diferenças, com o surgimento de novas espécies distintas daquela original.  Devo desconsiderar essa parte e sugiro outro caminho: a diferenciação mais sutil em cada ambiente.  Na floresta, há áreas mais densas e mais abertas, com mais ou menos água disponível, entre outras.  No deserto, áreas mais rochosas, arenosas ou próximas de oásis.  A migração de grupos para essas diferentes áreas permite a prevalência de outros genes, próprios para cada uma delas ou ao acaso.  O cruzamento específico dentro desses grupos os deixaria com diferenças sutis entre si.

Como vimos, há uma tendência de as características mais vantajosas continuarem na população, enquanto as outras são suprimidas.  Nenhuma evolução foi necessária, tudo já existia.

 

            Por fim, gostaria de fazer duas observações.  O ambiente natural é muito complexo, e a interação entre suas partes mais difícil de entender do que gostaríamos.  Os conceitos podem ser simplificados, mas a compreensão depende do reconhecimento da totalidade e irredutibilidade dos sistemas naturais.

Também vale lembrar que existem milhares (ou milhões) de espécies não catalogadas pelo ser humano, tanto nos locais inóspitos como naqueles já amplamente estudados.  Cabe refletir também sobre essa situação.

 

Novamente, me parece que a questão foi solucionada.

           

III) Pingüins.

 

Mudei o nome desse tópico porque “Equívoco” já não convém. Também facilita a pesquisa e leitura por terceiros.

 

            Como estava sendo discutido, os pingüins vivem geralmente em locais frios.  Portanto, como poderiam ter saído do Oriente Médio e viajado até o sul, uma distância de mais de 12.000 km?  Mas encontraram um pingüim no Rio de Janeiro.  Ele viajou no mínimo 4.000 km, se saiu da Patagônia.  Uma boa diferença de distância.

 

            Agora, Marcus, vamos fazer algumas considerações:

            1) Fui procurar onde vivem os pingüins, além da Antártida.  Encontrei que eles existem também na Patagônia, Nova Zelândia, África do Sul, algumas outras ilhas e, pasmem, nas Ilhas Galápagos!  Ou seja, vivem na linha do Equador, em um clima tropical.  Eles têm, contudo, uma corrente marítima fria (Corrente de Humboldt ou do Peru) à disposição.  Mas não deixam de viver em um ambiente quente.

 

            2) Uma distância de 4000 quilômetros não é pouca, de forma alguma.  Se um pingüim pode resistir a uma viagem dessas, não podemos duvidar que possa resistir a uma ainda mais longa.  Aliás, não sei como um pingüim poderia viajar 2000 km sobre um iceberg.

 

            3) No caso de uma viagem da Antártida para as Ilhas Galápagos, os pingüins têm uma corrente favorável e teriam que atravessar cerca de 10.000 km de água.  Da África do Sul para a Antártida temos cerca de 4.000 km. Entre a Antártida e a Nova Zelândia, uns 3.000 km.  Parece que esses bichinhos são mesmo resistentes.

 

            4) O Brasil é banhado por uma corrente marítima quente, a Corrente do Brasil, no sentido norte-sul.  Então ela é desfavorável à jornada do nosso pingüim aventureiro, e não favorável como você citou.  Uma viagem de 4.000 km contra uma corrente marítima; nada mal.

 

            5) Por outro lado, do Oriente Médio para a África do Sul, cerca de 8.000 km, há correntes marítimas favoráveis, assim como daí para a Antártida.  Também diferente do que você disse.

 

            As minhas principais fontes foram o Almanaque Abril 2002 e A Enciclopédia Delta Universal, tópicos “Oceano”, “Pingüim” e “Galápagos”.  É fácil encontrar mapas com as correntes marítimas.

Com todos esses fatos expostos, acredito que nós temos um exemplo de migração animal. Vamos começar nossa busca pelo Oriente Médio.  Por instinto, os pingüins procuram um ambiente aquático para viverem, encontrando o Golfo Pérsico sem dificuldade.  No momento é a partir daqui que nos interessa.

            Em direção ao sul do Golfo Pérsico, encontra-se a Deriva das Monções de Nordeste ou a Corrente Equatorial Norte, vindas da Índia no sentido para o sul, beirando o leste da África.  Nas proximidades de Madagascar, inicia-se a Corrente do Cabo das Agulhas, passando entre a ilha e o continente, e terminando na África do Sul, onde vivem pingüins.

            A partir da África do Sul, a jornada pode tomar diferentes direções.  Primeiro e menos provável, os animais caem na Corrente de Benguela, à oeste da África, que se continua com a Corrente do Brasil ao atravessar o Oceano Atlântico e chega-se na Patagônia.  O caminho mais provável (para mim, pois na verdade não conheço detalhes) é eles caírem na continuação da Corrente das Agulhas e chegarem à Corrente Circumpolar Antártica, atingindo facilmente o continente gelado.

            Uma vez na Antártida, o espalhamento dos pingüins por outras ilhas e locais fica bem fácil.  Para as Ilhas Galápagos, a Corrente de Humboldt vai direto.  Para a Patagônia, a Corrente das Falklands, e para a Nova Zelândia uma continuação da Corrente Circumpolar Antártica (que também encontrei como Curso do Vento Oeste).

           

            A discussão sobre os pingüins rendeu muito mais frutos do que poderíamos esperar, possibilitando uma dispersão em escalas, passando pela África do Sul e talvez outros locais não encontrados onde podem existir ou terem existido esses animais.  Já temos um bom exemplo.

 

IV) Deriva dos Continentes.

 

A separação brusca dos continentes é parte de uma teoria bastante pesquisada sobre o dilúvio.  Gostaria de enviar um texto explicando essa teoria, chamada de Teoria das Hidroplacas, mas preciso de muito tempo e não sei se tenho capacidade de expô-la corretamente, mesmo porque necessita de figuras para o devido entendimento.  Partes dessa teoria, se não ela toda, podem ser encontradas nos sites www.icr.org e globalflood.org.  Infelizmente não tenho domínio do inglês para pesquisar adequadamente.  Trata-se de uma explicação muito interessante, parecendo possível, mas também não tenho capacidade técnica de avaliá-la. Fico devendo essa explicação, por enquanto.

 

            Apesar de o manto terrestre não ser sólido, a crosta terrestre, com o fundo dos oceanos e as placas continentais, é sólida.  Mesmo com a movimentação do magma, seria necessário que as placas se sobrepusessem, senão só poderiam deslizar umas contra as outras, com os continentes fixos sobre elas.  Seria como aquecer uma sopa com lâminas de pedra justapostas.  Elas podem tomar o lugar uma da outra, sem encontro de suas superfícies, algo necessário para o encontro dos continentes.  Isso impede a existência da Pangéia.

            Outro fato curioso é sobre o crescimento das montanhas.  Sabemos que até as menores montanhas são completamente sólidas por dentro, e para crescerem seria necessário que toda a rocha se dobrasse, pois apenas o crescimento por baixo é ainda mais inviável.  Basta desenhar uma montanha cortada com as linhas internas curvas e paralelas ao contorno externo.  Para crescer, as linhas precisariam dobrar-se.  É o mesmo que dobrar um bloco de granito após pressioná-lo por milhares de anos. Não parece muito lógico.

            Muitos morros e montanhas parecem ter “emergido” bruscamente do solo na forma de lama e então solidificado rapidamente, como pode ser observado em muitos exemplos.  Outros parecem que foram esculpidos pelo escorrimento de um vagalhão imenso de águas enquanto ainda estavam se solidificando.  Não tenho certeza sobre essas hipóteses, mas as acho interessantes para pensar.

Ainda, em muitas rochas nós encontramos “camadas” bem definidas, que, por incrível que pareça, seguem a mesma altitude por até quilômetros de extensão.  Uma sedimentação muito precisa por milhões de anos?  Tenho outro palpite.  Dois fatores mais precisos podem ter originado tais camadas.  Em primeiro lugar, a deposição dos sedimentos do Dilúvio em cerca de 150 dias em “camadas” devido às diferentes densidades dos restos misturados à lama.  Esse processo de liquefação e aparecimento de camadas foi testado pelo Dr Leonard R. Brand, com dois galões com lama em lados opostos e que oscilavam lentamente.  O outro fator é o escoamento lento das águas do Dilúvio, formando a imagem de camadas nas rochas.  Esse princípio pode ser testado com o esvaziamento lento de uma piscina ou pia com água suja, em que surgem “camadas” progressivas nas bordas.

Para o raciocínio envolvendo morros e montanhas, o melhor é observá-los.  Para isso, é bom ver muitas imagens diferentes.  Recomendo grandemente o programa Webshots, que ainda deve ser grátis em http://www.webshots.com/.  Nessa página encontram-se milhares (ou serão milhões?) de fotos de tudo para utilizar como papel de parede.  Para nós, importam as fotos em “Nature Scenes”, “Water and Mountais” e de países, mas também em outros locais, a maioria delas muito bonitas.

                       

            Sobre seus outros argumentos, a respeito da velocidade do movimento, de acidentes naturais e a "freada" dos continentes, apenas com uma explanação mais detalhada da Teoria das Hidroplacas eu poderia respondê-las de forma compreensível. Talvez daqui mais dois meses.  E sem precisar da ajuda direta de Deus (no entanto, preciso dEle pra conseguir tempo, disposição e bons argumentos).

            De qualquer forma, no site globalflood.com parece ter descrições de um Dilúvio global de modo científico, mas seus artigos além de serem em inglês são muito específicos.  Na seção “Catastrofic Plate Tectonics” tem um deles, mas apenas um estudioso de engenharia pode compreender.

 

V) Arca de Noé, animais e plantas no Dilúvio.

 

No fim desse tópico, no primeiro texto, levantei as seguintes dúvidas, que gostaria de ver respondidas por alguém com o conhecimento necessário:

-         Ovos de aves e répteis que fiquem muito tempo no escuro podem “hibernar”, eclodindo apenas em condições certas?

-         Filhotes no escuro podem hibernar por quanto tempo?

-         Ovos e larvas de invertebrados podem resistir nas condições diluvianas de lama e grande pressão?

-         É possível a “ressurreição” das florestas nessas condições?

 

Marcus, mesmo que na sua opinião nenhum desses fatos deva ser verdade, prefiro ver a análise de um especialista, e se não conseguir o que quero, vou procurar sozinho (posso bater com a cara na parede, mas sem obstinação nunca chegaremos à verdade; afinal, foi procurando que descobri sobre os pingüins e as correntes marítimas).

            Aparentemente a Bíblia não dá suporte a essas hipóteses, mas uma vez que provavelmente os animais foram conduzidos até a arca por Deus, não importa se eram adultos ou filhotes, e nada é dito a respeito.  Quanto às hipóteses dos invertebrados e das florestas, não seria muito sábio escrever sobre esses fatos num livro que deve ser compreendido por todas as culturas, conheçam ou não conceitos de biologia.  Apenas os fatos observados por homens foram citados, especialmente os mais importantes.

 

            É necessário salientar que a Arca de Noé não era um barco ou navio, e sim uma arca mesmo.  Um caixote imenso sem velas ou proa, portanto não foi construído para navegar, como é retratado em muitas figuras, mas para assegurar a sobrevivência durante um evento catastrófico, flutuando sobre as águas.  O desenho da arca já foi estudado por computação, descobrindo-se que ela poderia muito bem resistir por um bom tempo sobre a água, inclusive inclinando-se bastante sem afundar.  Ela foi muito bem planejada e construída.

            Você disse que nem na época das grandes navegações foram construídos navios com mais de 50m de comprimento.  Realmente, construir um navio apenas de madeira maior que esse tamanho parece não ser fácil.  Em primeiro lugar, a Arca de Noé não era um navio, como já eu disse.  E revendo a história da navegação, vamos encontrar algumas informações interessantes, como a do maior navio de madeira já construído, o Great Republic, um Clíper de cerca de 100m de comprimento lançado às águas em 1853 por um canadense nos EUA.  Do século II ao XVIII, na Europa os navios não passaram de 50m.  Os romanos tinham navios de 55m.  Em cerca de 400 a.C. o trirreme grego tinha cerca de 55m. Os navios cargueiros egípcios chegavam a 45m há cerca de 2500 a.C.

Você já deve ter ouvido falar de uma hipótese da chegada dos chineses à América antes de Colombo.  Nela, cita-se o emprego de grandes navios com 120m de comprimento por um general chinês.  Infelizmente não encontrei nada sobre esses navios em outros locais, mas a hipótese também cita que esses navios e o conhecimento sobre sua construção foram destruídos por um imperador chinês que não desejava o contato com outras civilizações. Ou seja, a tecnologia estaria perdida.

            O conhecimento para a construção da Arca também poderia ter sido perdido, afinal quem precisaria de um caixote imenso impossível de controlar?  Até hoje as pirâmides egípcias intrigam arquitetos e engenheiros em todo o mundo, e no Egito de 2000 anos atrás elas já não eram construídas.  Há muitos outros exemplos de construções antigas e outros conhecimentos que foram totalmente perdidos. Se as pirâmides tivessem sido destruídas há 3000 anos atrás, os cientistas diriam o mesmo para quem acreditasse que elas existiram: por 3000 anos ninguém foi capaz de construir algo tão magnífico, então como você me prova a construção dessas tais pirâmides naquela época?

 

            Voltando às plantas, queria acrescentar que suas sementes e esporos são normalmente muito resistentes, germinando mesmo após semanas ou meses, e poderiam sobreviver nas condições do Dilúvio.  Parte dessa experiência eu fiz em casa sem querer, pois queria plantar uma grande árvore e peguei sementes de certa espécie, há 3 meses.  Para plantá-la, era necessário esquentar as sementes com água e raspar sua ponta.  Fiz isso com algumas e coloquei outras “in natura” na terra.  Aquelas germinaram, mas morreram por descuido logo depois.  Esperei que as outras nascessem.  Depois de 3 meses nada.  Então retirei 4 delas da terra, esquentei e plantei.  Qual não foi minha surpresa ao ver que hoje à tarde duas germinaram?

No mais, precisamos continuar nossa busca.

 

            Dependendo sobre qual "Questão" você se refere, ela está respondida.

 

VI) Dispersão dos animais pelo mundo.

 

Como mencionei no primeiro texto, esse parece um dos maiores desafios criacionistas.  No entanto, acredito que meu texto trouxe uma boa reflexão sobre alguns conceitos, gerando hipóteses.  Se lido com atenção, veremos a possibilidade de explicação razoável, mesmo que muito incompleta e duvidosa.  Contudo, toda a ciência trabalha inicialmente com hipóteses nunca observadas ou testadas, e não com verdades.  Depois da formulação de hipóteses vem o raciocínio e o método científico de análise, com ou sem interferência, e através dos dados podemos confirmar algumas delas ou gerar outras diferentes, até chegar a alguma conclusão.  No nosso âmbito, Marcus, que não temos condições para fazer uma pesquisa científica verdadeira (com animais e ambientes), só podemos fazer a simples, mas não menos importante, pesquisa bibliográfica em livros, enciclopédias ou na internet.  A partir daí segue-se o raciocínio.  A meu ver, esse início é a parte mais importante de toda ciência.

 

Agora, aliada às idéias expostas no primeiro texto, gostaria de fazer algumas observações pertinentes.

            Sempre gostei de observar a natureza, desde fenômenos como o pôr-do-sol e a chuva até os movimentos de uma formiga, admirando a beleza e aparente simplicidade da criação de Deus.  Muitos animais possuem um instinto estranho, de invadir e procurar novos locais, talvez em busca de alimento.  Gatos, cachorros, pássaros, ratos, insetos, acabam aparecendo em lugares alheios, às vezes até se perdendo.  Alguns não vão muito longe, outros sempre voltam, outros mudam de vez.  Parece existir uma curiosidade instintiva na maioria ou até em todos os animais, que pode levá-los a povoar um novo ambiente recém-descoberto rapidamente, exceto se esse ambiente já estiver saturado, não for propício ou tiver algum predador importante.  Essa curiosidade é observável, e às vezes até mesmo interessante.  Já vi gatos e cachorros se perderem em alguns ambientes fechados, sapos e cobras escondidos em quartos longe da entrada da casa, formigas invadindo todo tipo de lugar e pombas invadindo chácaras a quilômetros da cidade, onde antes elas não existiam.

            Sabemos que animais predadores precisam procurar novos ambientes após ficarem adultos, ou terão que enfrentar seus progenitores.  Outros animais fogem instintivamente do frio e do calor, ou procuram ambientes com alimento específico.

            Esse instinto é um forte indício para uma distribuição rápida e em certos momentos específica dos animais.  Com relação aos fósseis provando as migrações, a existência de espécies em locais específicos e a semelhança de espécies distantes, já comentei no outro texto, utilizando os conceitos de fossilização rara, extinção e diferenciação.

 

            Por seus últimos comentários, tenho que admirar novamente sua busca pela verdade, pois apenas alguém com a mente aberta poderia acreditar que idéias opostas às suas podem ter valor.  Muito obrigado Marcus.  Que muitos outros continuem sua própria busca.

 

VII) Seres multicelulares e a Embriogênese.

 

Desculpe-me pela confusão do número intermediário de células.  Na verdade, quem citou que também não conhecia número intermediário de células foi a Drª Márcia, se não me engano.  Realmente um ser só pode ser classificado como uni ou pluricelular.  Meu propósito (talvez o mesmo da Drª Márcia) era dizer que não há um organismo com um número de células "faltando" ou "sobrando", ou seja, com células sem função ou falta de alguma função.  Assim, de um ser uni para pluricelular toda a interdependência (nada simples) deve ser completa, sem que duas células se unam ocasionalmente e comecem a ter funções aleatórias diferentes.  Não basta duas células ficarem juntas, elas precisam interagir.

            No caso, um número intermediário de células seria um ser incompleto, algo não encontrado na Natureza.  Todos os organismos conhecidos são completos, sem excesso ou falta de funções, órgãos ou células.  Não há órgãos vestigiais, nem mesmo nos embriões, como era considerado pela biologia.  O que pode existir são seres, órgãos ou células com função desconhecida, mas aos poucos essas lacunas são preenchidas e nada sobra ou falta.  Nos fósseis também não existem seres incompletos, ainda mais quando consideramos muitos já extintos e a escassez de fósseis usados para construir um único animal.

 

            Com relação à embriogênese, você continua sendo muito simplista considerando o zigoto uma única célula que se divide e continua com as células unidas.  Manter duas células unidas envolve a produção de novas proteínas e portanto a criação de genes, não de qualquer forma, mas específicos, com produtos capazes de interagir entre si e formar as pontes e junções intercelulares.  Isso sem considerar a especialização das células, complicando ainda mais o processo.

            No ser humano, o zigoto terminar por formar cerca de 200 tipos celulares especializados, com o mesmo material genético.  Não são células parecidas!  Um neurônio, uma célula muscular, uma hemácia, células da pele, células pulmonares, células que revestem os vasos sanguíneos, produtoras de hormônios, formadoras de gametas, dos ossos, de defesa do organismo.  Parece um milagre bioquímico a origem de todas elas por apenas uma, e depois por outras menos especializadas, processo chamado diferenciação celular.

Aliás, usei o termo diferenciação baseado nessa capacidade de algumas células em produzir outras diferentes de modo irreversível.  Esse parece ser o mesmo mecanismo da diferenciação dos seres vivos em geral.  Assim como centenas de células com o mesmo material genético podem ser totalmente diferentes, mantendo às vezes apenas a função vital semelhante, os seres vivos poderiam se diferenciar a partir de apenas um casal com todo o material genético necessário.  Um casal humano e bilhões de pessoas diferentes com o mesmo material genético, numa formação de etnias até certo ponto irreversível. No entanto, é uma elucubração minha por comparação, que achei deveras interessante.

 

            Concluindo esta parte, como já citei, até hoje não foram observadas bactérias transformando-se em qualquer outra célula seguinte no processo evolutivo.  Considerando que a evolução depende de gerações e não anos, temos que em 360.000 anos, no mínimo, não é esperada nenhuma especiação em um mamífero com geração de 20 anos.  Ou seja, nem mesmo com um tempo absurdo é certo que a passagem de uni para pluricelular ocorresse.

 

VIII) A Ciência e as Escrituras.  Conclusões.

 

Explicar o mundo sob outro ponto de vista faz parte do criacionismo.  Até aqui já temos muitas hipóteses, e podemos conseguir ainda mais, e se possível testá-las ou ao menos pesquisá-las.  Só é impossível para quem não tenta.

           

Não entendi isso: "Como tais fatos poderiam ser explicados mediante conhecimentos de Embriologia, sem explicar o próprio objeto desta área, os embriões? Como explicar a existência dos seres vivos numa base natural?”.

 

            Concordo que exagerei no fim do meu texto, ao dizer que os cientistas buscavam demonstrar a "idiotice da Bíblia".  Infelizmente, muitas vezes parece que essa é uma das maiores glórias de certos cientistas, chamando aqueles que crêem nela ou mesmo em Deus de irracionais e ignorantes. Mas existe um motivo para isso. Como você percebeu, os criacionistas agem do mesmo modo com os evolucionistas.  Deve ser uma característica humana.  A única diferença é que existem mais cientistas não cristãos do que aqueles que se insinuam cristãos.  Além disso, quando cito os prazeres da carne, ressalto que algumas pessoas realmente não crêem na Bíblia por esse motivo, mesmo que não acreditem também na evolução.  É um fenômeno inconsciente.  Veja que a própria Bíblia relata que muitas vezes os judeus se desviaram dela e passaram a crer em outros deuses, mas duvido que passaram a crer em algum tipo de evolução.  Na verdade, a grande maioria das pessoas, cristãs ou não, sequer se importam com isso, e acreditam na evolução (ou mesmo na criação) por conveniência ou não conhecerem outro ponto de vista, mesmo sem saber nada sobre ela.

 

            Muitos aceitaram a evolução pelos motivos que você citou, mas creio que alguns aceitaram por conveniência e para livrarem-se do fardo de precisar acreditar em parte da Bíblia.  Quando se lê que precisamos amar nossos inimigos e perdoar aquele que nos prejudica, para não precisar fazer isso nada mais fácil que dizer que toda a Bíblia é mentirosa.  Quando estudamos mecanismos inconscientes, fica até simples demonstrar esse fato.

 

            Como já foi demonstrado pelas minhas explanações e como já citei, o criacionismo não precisa ser anti-natural ou anti-científico.  Você deve perceber que algumas de minhas hipóteses podem ser verdade e não necessitam de nenhum erro na natureza ou violação de leis físicas.  Ou seja, o criacionismo não destrói nada disso, mas tenta conciliá-los com as Escrituras.

            Também não sei de onde você tirou que o criacionismo tenta invalidar a ciência.  Isso é ilógico, afinal é através da ciência que o homem tenta descobrir os mistérios de Deus, e por isso Ele nos deu essa maravilhosa capacidade.  Aliás, essa é a Sua vontade, conforme está nas Escrituras: "A glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos reis é esquadrinhá-las” (Provérbios 25:2), e em grande parte dos Provérbios e no livro de Eclesiastes, além de muitas outras partes de Sua Palavra.           

            Jesus nos mostra então, que a ciência é sim importante, mas para nossa vida espiritual e amor entre os homens todas essas discussões não têm importância.  De que adiantaria concordarmos em tudo se não houver amor?  Qual o significado de buscar respostas terrenas e perder a alma? Encontrar verdades na terra e não sermos bons?  Pois os tesouros dos Céus nós conseguimos pela bondade, alegria, paciência e através do amor.  Como está escrito: “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei”. (1 Coríntios 13:2).  Esses são os tesouros mais importantes, e seu valor está demonstrado na vida daqueles que crêem em Jesus em espírito e em verdade.  Isso é ser cristão. Não faz sentido dizer cristão fundamentalista, já que Cristo é um só, e um só são seus ensinamentos.  Mesmo divergindo em alguns aspectos, um cristão verdadeiro é aquele que segue a Jesus Cristo, crê em todas as suas palavras.  Não é apenas dizer, mas fazer.  Homens e mulheres fizeram muito durante esses milhares de anos, mas só lembramos daqueles que se intitulavam cristãos, sem no entanto o serem.  Para estes, Jesus diz: "Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?" (Lucas 6:46) e “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”. (Mateus 7:22-23).

 

            Marcus Valério, eu mais uma vez agradeço pela oportunidade de expor alguns argumentos.  Perdoe-me pelo conteúdo extenso e demora em produzir o texto, porém algum proveito pode ser tirado de tudo o que foi comentado mesmo pelos que não acreditarem em uma palavra escrita.  O mais importante é a reflexão própria e a busca pessoal pelo conhecimento, sem ater-se a palavras de outros homens.  Para isso, também gostaria que terceiros leitores não se ativessem apenas às réplicas, mas lessem os textos completos, para maior compreensão das hipóteses citadas.

           

            Um aviador, que certa vez sofreu uma pane no deserto do Saara, disse sobre as pessoas grandes: “Assim, se a gente lhes disser: ‘A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existe’, elas pouco se importarão e nos chamarão de criança!  Mas se dissermos: ‘O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612’, ficarão inteiramente convencidas e não amolarão com perguntas.  Elas são assim mesmo.  É preciso não lhes querer mal por isso.  As crianças devem ser muito tolerantes com as pessoas grandes.”

            Até onde vai nossa compreensão da vida?

 

 

Rafael Augusto Borges Pavani

rafaabpavani@hotmail.com

26 de junho de 2004

                       

           

Fontes:

 

1)      Enciclopédia Delta Universal.  Termos “Galápagos”, “Navegação”, “Navios”, “Oceano”, “Plantas”, “Pingüim”, “Terra”, entre outros.  Boas enciclopédias são ótimas para pesquisar qualquer coisa, vale a pena ter ao menos uma em casa.

 

2)      Superinteressante de Abril de 2003, Edição 187, reportagem de capa: “Raças”.  Explica dispersão de brancos e negros com base na luminosidade solar.

 

3)      Superinteressante de Agosto de 2001 (capa com Dalai Lama). Artigo “O que há de errado com Darwin”, pg 71.  Ótimo artigo, não é criacionista mas dá argumentos possíveis de usar a favor do Criacionismo.

 

4)      Superinteressante de Março de 2003 (capa Paranormalidade).  Seção Supernovas, título “Vira-Latas”.  Mostra a data da origem de diversas raças caninas.

 

5)      Almanaque Abril 2002, mapas.  Mapa do oceano, com as correntes marítimas.

 

6)      Revista TERRA número 133, Maio de 2003, capa “A ciência encontra a Bíblia”.  O artigo de capa (pg 44) inclui muitas descobertas que demonstram a veracidade histórica da Bíblia, sem qualquer tendência criacionista, a maioria do século XX.  Ou seja, os cientistas duvidaram da verdade por tempo demais.

 

7)      Livros de biologia no geral, de ensino médio mesmo.  Alguns são bons.  Outros, uma verdadeira falácia.

 

8)      Moore, Persaud. “Embriologia Clínica”, 6ª Edição, 2000.  Linguagem própria para medicina, mas com o conhecimento do ensino médio dá pra ler um pouco.

 

9)      Alberts. “Fundamentos da Biologia Celular”. 2002. Livro muito bom, possível de entender boa parte com o conhecimento do ensino médio.

 

10)   http://www.icr.org/.  Em inglês, um dos maiores, melhores e mais sérios sites criacionistas.

 

11)   http://www.scb.org.br/.  Talvez o melhor site criacionista brasileiro.

 

            Obs: Eu procuro as respostas que quero em fontes confiáveis, e busco entender os conceitos evolutivos.  No entanto, conheço pouquíssima literatura criacionista, nem nos sites eu costumo ler muita coisa, e até mesmo temo buscá-las para não ter tudo respondido de forma fácil e sem compreensão.

 

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